Extremistas resistem a forças iraquianas no segundo dia de combates em Kirkuk

Kirkuk, Iraque, 22 Out 2016 (AFP) - A cidade iraquiana de Kirkuk vivia neste sábado (22) o segundo dia de combates entre as forças de segurança de Bagdá e os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI), que lançaram um inesperado e violento ataque na sexta-feira (21).

A ação impressionou e demonstrou a capacidade do EI de atacar fora de zonas sob seu controle, enquanto as forças iraquianas, com o apoio da coalizão internacional, prosseguem com o sexto dia da ofensiva contra Mossul. Essa cidade é o último grande reduto do grupo extremista no Iraque.

Um dia depois da inesperada ofensiva a Kirkuk, a cidade controlada pelos curdos seguia sob ameaça de possíveis atentados suicidas e de franco-atiradores do EI, o que obrigou o governo de Bagdá a enviar reforços.

Ao menos dois civis morreram, vítimas de fumaças tóxicas liberadas depois de um ataque do EI, esta semana, contra uma fábrica de enxofre perto de Mossul, informou um general iraquiano neste sábado (22).

O hospital local afirmou que atendeu 500 pessoas com problemas respiratórios. Alguns funcionários da base dos Estados Unidos perto da fábrica usavam máscaras.

Segundo alguns trabalhadores iraquianos, neste sábado à noite já haviam conseguido conter o incêndio no local.

'Medo e destruição'Na sexta-feira (21), combatentes do EI atacaram vários edifícios do governo em Kirkuk e uma central elétrica em construção, localizada a noroeste da cidade.

Os confrontos com o Daesh deixaram 46 mortos e 133 feridos, em sua maioria membros dos serviços de segurança, segundo fontes militares iraquianas.

Hoje, o chefe da Polícia de Kirkuk indicou sábado que, durante o cerco à cidade, ao menos 48 extremistas foram mortos. Ele disse ainda que vários homens-bomba detonaram as cargas que carregavam junto ao corpo, ao serem encurralados pelas forças de segurança.

No total, 100 extremistas participaram dos ataques, vários deles com coletes, ou cinturões de explosivos.

As autoridades de Kirkuk, cidade multiétnica com a presença de várias comunidades religiosas, decretaram toque de recolher total na sexta-feira por conta das ações de guerrilha urbana executadas pelos extremistas.

Kirkuk fica em uma região rica em petróleo, a 150 km de Mossul - a segunda maior cidade iraquiana, controlada pelo EI desde junho 2014 - e a 240 km ao norte da capital Bagdá.

Na manhã de sexta-feira, a localidade acordou com os extremistas percorrendo as ruas de alguns bairros. Segundo testemunhas, eles entravam nas mesquitas e gritavam "Allah Akbar" (Deus é o maior) e "Dawla al Islam baqiya" (O EI vencerá).

"Passamos 24 horas de medo e destruição. É como se esse dia tivesse durado um ano inteiro", relatou à AFP Abu Omar, um açougueiro de 40 anos.

Manobra de distraçãoUm dos extremistas capturados pelas forças curdas afirmou que o ataque contra Kirkuk foi planejado pelo líder supremo do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, como uma manobra de distração no sexto dia da ofensiva iraquiana contra Mossul.

O ataque de sexta-feira "era um dos planos do califa Al-Baghdadi para demonstrar que o EI continua avançando e para reduzir a pressão na frente de Mossul", disse o jovem iraquiano detido em Kirkuk.

As forças iraquianas continuavam, porém, neste sábado, seu avanço até Qaraqosh, a leste de Mossul, a maior cidade cristã do Iraque até a fuga de sua população diante do avanço dos extremistas e a tomada de controle da região, em 2014.

Isso permitiria que eles se aproximassem dos bairros periféricos do leste de Mossul, segundo fontes militares.

Em um dos confrontos, um jornalista iraquiano de televisão morreu neste sábado quando cobria a ofensiva militar. Trata-se do segundo jornalista iraquiano morto em dois dias. Na sexta, já havia falecido um profissional do canal turcomano Ili, atingido por um atirador do EI em Kirkuk.

O secretário americano da Defesa, Ashton Carter, desembarcou neste sábado em Bagdá para uma visita não anunciada com o objetivo de avaliar a ofensiva em Mossul. Acredita-se que a cidade esteja sendo defendida por entre 3.500 e 4.500 extremistas.

Durante a visita, Carter deve se reunir com o comandante militar da coalizão internacional antiextremista, o general americano Stephen Townsend, e com o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi.

Espera-se que Carter consiga convencer o governo a permitir que as forças turcas participem da conquista de Mossul, onde Ancara tem uma base no norte.

O primeiro-ministro iraquiano insiste em sua recusa à colaboração da Turquia, alegando que "isso é algo que será feito pelos iraquianos".

Os Estados Unidos têm mais de 4.800 soldados no Iraque. Este contingente proporciona apoio logístico e assessoria às forças iraquianas. Salvo em casos específicos, o efetivo não participa diretamente dos combates, de acordo com informações oficiais.

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