Especialista critica recusa da ONU em reconhecer responsabilidade por cólera no Haiti

Nações Unidas, Estados Unidos, 25 Out 2016 (AFP) - A recusa da ONU em a reconhecer sua responsabilidade legal pela epidemia de cólera que assola o Haiti desde 2010 é injustificável e "enfraquece a credibilidade" da organização, disse nesta terça-feira um especialista independente em direitos humanos.

Esta atitude estabelece "um sistema de dois pesos e duas medidas" que contradiz os esforços da ONU para punir os governos responsáveis por abusos, disse Philip Alston, relator especial da ONU para a pobreza extrema e os direitos humanos.

A meados de agosto, a ONU reconheceu, pela primeira vez, sua "implicação no surto inicial" da epidemia.

De acordo com vários especialistas independentes, a doença foi introduzida no Haiti por tropas de paz nepalesas da Missão das Nações Unidas no local (Minustah).

A organização internacional afirma que não tem nenhuma responsabilidade legal - admite ter, no máximo, uma "responsabilidade moral".

A atitude da ONU durante seis anos "foi um desastre", disse Alston, acrescentando que a organização é "moralmente condenável" e "indefensável do ponto de vista legal".

Alston, um especialista independente à serviço da ONU, fez as declarações na Assembleia Geral das Nações Unidas, ao apresentar um relatório sobre o caso.

O relator especial afirmou, ainda, que a organização deveria estabelecer um procedimento para atender as necessidades das famílias de milhares de falecidos por cólera.

Para o especialista, a estratégia da ONU de tentar "evitar a todo custo reconhecer a sua responsabilidade" e colocar um "manto de silêncio" sobre o assunto foi ditada pelo seu departamento jurídico e inspirada pelos Estados Unidos.

A ONU prevê enviar ajuda material direta para as famílias das vítimas de cólera e para as comunidades mais afetadas, assim como acelerar a luta contra a epidemia, agravada após a passagem do furacão Matthew, semanas atrás.

A cólera deixou cerca de 9.300 mortos e 800.000 afetados no Haiti desde o surto da epidemia, em outubro de 2010. A cada semana, são registrados 500 novos casos.

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