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Papa critica comunidade internacional por atraso em aplicar acordo do clima

28/11/2016 20h02

Cidade do Vaticano, 28 Nov 2016 (AFP) - O papa Francisco criticou a comunidade internacional, nesta segunda-feira (28), pelo atraso na implementação dos acordos contra as mudanças climáticas, um desafio que suscitou "uma fraca reação" apesar do trabalho dos cientistas a favor da nossa "casa comum".

"A submissão da política à tecnologia e a uma economia que busca lucro acima de tudo é demonstrada na distração, ou no atraso, na implementação dos acordos mundiais sobre o meio ambiente", disse o pontífice argentino.

O papa deu essa declaração ante os participantes da conferência internacional sobre "Ciência e Sustentabilidade", organizada no Vaticano, que contou com a presença do astrofísico britânico Stephen Hawking, entre outros especialistas.

Hawking, ateu declarado, é membro desde 1986 da Pontifícia Academia de Ciências, que reúne cientistas independentemente de sua religião.

"Nunca foi tão evidente a missão da Ciência a serviço de um novo equilíbrio ecológico global", afirmou o papa, autor da importante encíclica "Laudato Si", sobre o respeito ao meio ambiente.

"Na modernidade, crescemos pensando ser donos da natureza, autorizados a saqueá-la sem consideração com suas potencialidades secretas e leis evolutivas, como se se tratasse de um material inerte à nossa disposição, produzindo entre outras coisas uma gravíssima perda da biodiversidade", alertou o papa.

Francisco elogiou a "renovada aliança entre a comunidade científica e a comunidade cristã, que veem convergir seus diversos enfoques da realidade nessa finalidade compartilhada de proteger a casa comum, ameaçada pelo colapso ecológico e pelo consequente aumento da pobreza e da exclusão social", disse.

"As contínuas guerras pelo predomínio, mascaradas por nobres reivindicações, causam danos cada vez mais graves ao ambiente e à riqueza moral de todos os povos", acrescentou.

Diante dessa realidade, o papa elogiou os cientistas que "trabalham livres de interesses políticos, econômicos, ou ideológicos" e lhes pediu que "construam uma liderança que indique soluções para temas como a água, as energias renováveis e a segurança alimentar".