Exército iraquiano lança segunda fase da ofensiva contra EI em Mossul

Bagdá, 29 dez 2016 (AFP) - As forças iraquianas lançaram nesta quinta-feira a segunda fase da ofensiva para reconquistar a parte oriental de Mossul, nas mãos do grupo extremista Estado Islâmico (EI) há quase dois anos.

Desde o início da ofensiva contra Mossul, no dia 17 de outubro, as forças de elite reconquistaram vários bairros do leste da cidade, se aproximando da margem oriental do rio Tigre, que divide a cidade em dois.

Mas os extremistas do Estado Islâmico continuam ocupando a totalidade dos bairros da margem ocidental do Tigre.

"Foi lançada a segunda fase para liberar a parte oriental de Mossul", disse à AFP o tenente-general Abdelghani al Asadi, do Comando Antiterrorista Iraquiano (CTS), força de elite do exército.

"Às 07h00 (02h00 de Brasília), nossas forças começaram a avançar no bairro de Al Qods e enfrentam o inimigo que resiste", acrescentou o militar.

Simultaneamente, os soldados iraquianos avançam nos fronts norte e sul, fora da cidade de Mossul, segunda do Iraque e último reduto do EI, que havia se apoderado dela em junho de 2014.

Ao norte, fora de Mossul, o exército "libertou os vilarejos de Al-Sada e Al-Tawila", explicou o general Abdul Amir Yarallah, comandante da ofensiva.

Retirada no oesteEm Mossul, "a linha de defesa inimiga foi rompida e os corpos de combatentes do Daesh (acrônimo para EI em árabe) estão espalhados pelas ruas dos bairros de Al-Salam, Al-Intisad, Al-Wahda, Al-Falestine e Al-Quds", indicou o general Raed Shaker Jawdat, chefe da polícia iraquiana.

"A polícia federal tem penetrado profundamente nos bairros de Al-Quds e Jadida Al-Mufti".

O oficial explicou que drones da polícia "observam" os combatentes do EI que retrocedem na margem direita do rio Tigre, na parte ocidental da cidade, utilizando uma ponte de pedestres fortemente danificada pelo conflito.

"A artilharia os está atacando", acrescentou.

Um residente do leste de Mossul disse à AFP ouvir "muitas explosões". "As pessoas estão enclausuradas em casa", disse a testemunha que falou sob condição de anonimato.

Esta nova fase pretende dar novo impulso à ofensiva, paralisada há cerca de duas semanas. Exausto por dois meses de intensos combates, o exército decidiu "rever os planos de batalha" e fazer uma pausa "para reduzir as perdas", explicou o primeiro-ministro Haider al-Abadi na semana passada.

Os combates são particularmente difíceis por se tratar de um cenário urbano em meio a civis. Além disso, os extremistas recorrem não apenas à artilharia mas também aos bombardeios.

Segundo Abadi, o exército foi alvo "900 vezes" de carros-bombas lançados nas ruas de Mossul desde 17 de outubro.

'Três meses' para eliminar o EINa terça-feira passada, o primeiro-ministro iraquiano havia afirmado que as forças de segurança precisavam de "três meses para eliminar" o EI de Mossul.

As forças iraquianas, apoiadas pela coalizão internacional anti-extremista dirigida pelos Estados Unidos, encontram uma forte resistência por parte dos combatentes do EI.

O grupo extremista continua, por sua vez, lançando atentados nas zonas de onde foi expulso.

Na quarta-feira, as aeronaves da coalizão realizaram três ataques que destruíram "uma unidade tática do EI", de acordo com o comando da coalizão (CJTF, grupo de trabalho combinado).

O grupo extremista sunita tomou em 2014 grandes porções do território no Iraque, mas as forças pró-governo recuperaram grande parte do terreno perdido, com a notável exceção de Mossul.

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