Momentos que marcaram o ano de 2016

Paris, 29 dez 2016 (AFP) - Da vitória de Donald Trump à morte de Fidel Castro, passando pelo Brexit, pela crise migratória, pela tragédia de Aleppo, ou pelo impeachment de Dilma Rousseff, estes foram os momentos que marcaram o ano de 2016:

- O terremoto Trump - Em 8 de novembro, o magnata Donald Trump, um empresário de 70 anos populista e sem experiência política, foi eleito presidente dos Estados Unidos, derrotando a democrata Hillary Clinton.

Em outros lugares do mundo, 2016 esteve marcado pela ascensão do populismo: da Ásia, onde o filipino Rodrigo Duterte venceu as eleições após uma polêmica campanha, à Europa, onde os partidos nacionalistas e de extrema direita avançaram.

- Brexit - No plebiscito de 23 de junho, os britânicos se pronunciaram a favor da saída da União Europeia (UE). O então primeiro-ministro conservador, David Cameron, renunciou e foi substituído por Theresa May. Ela prometeu ativar antes do fim de março o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que marcará o início de um período de dois anos para negociar a ruptura.

- Barreiras contra migrantes -A partir de fevereiro, foi fechada a "rota dos Bálcãs" percorrida em 2015 pelos migrantes que iam da Grécia à Alemanha.

Em março, UE e Turquia concluíram um polêmico acordo que prevê devolver a este último país todos os migrantes que chegaram à Grécia.

Embora o fluxo migratório através das ilhas gregas tenha diminuído consideravelmente, a maior parte dos migrantes passa agora pela Itália. Em 2016, ao menos 4.740 morreram, ou desapareceram, no Mediterrâneo.

Na França, "A Selva" de Calais, onde se acumularam aspirantes a emigrar ao Reino Unido, foi desmantelada no fim de outubro após a evacuação de seus 7.000 habitantes.

- O martírio de Aleppo -A cidade de Aleppo, no norte da Síria, foi retomada pelas tropas leais ao governo. Junto com seus aliados, Damasco multiplica as ofensivas contra os bairros rebeldes do leste da cidade desde 15 de novembro. O Ocidente denunciou "crimes de guerra", criticou a "obstrução da Rússia" - aliada de Bashar al-Assad - e assistiu impotente ao martírio de Aleppo.

A guerra deixou 310.000 mortos desde março de 2011.

- Terrorismo global-Apesar dos revezes na Síria, no Iraque e na Líbia, o grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindica, ou inspira, muitos ataques no mundo.

Vários países ocidentais, incluindo França (86 mortos em Nice), Estados Unidos (49 mortos em Orlando), Bélgica (32 mortos em Bruxelas) e Alemanha foram atingidos por sangrentos atentados.

A Turquia também sofreu com uma onda de atentados atribuídos ao EI, ou aos curdos, e que deixaram dezenas de mortos.

A África Ocidental também sofre atentados, lançados principalmente pela Al-Qaeda em Burkina Faso e na Costa do Marfim.

- Turquia, golpe frustrado e repressão -Na madrugada de 16 de julho, uma parte das Forças Armadas tentou depor o presidente Recep Tayyip Erdogan. O fracasso do golpe, atribuído ao pregador Fetullah Gullen, radicado nos Estados Unidos, permitiu ao presidente consolidar seu poder.

Mais de 37.000 pessoas foram detidas, e mais de 100.000 perderam seus cargos, ou foram suspensas. O governo também multiplicou as detenções entre os curdos.

- Ventos de mudança na América Latina -Depois da Argentina em 2015, o Brasil colocou fim a 13 anos de governos de esquerda, após os escândalos de corrupção que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff e a sua substituição pelo vice, Michel Temer (PMDB-SP).

O Peru também se somou aos ventos de mudança, elegendo um liberal de centro-direita, Pedro Pablo Kuczynski.

Na Venezuela, que atravessa uma grave crise econômica e política, o presidente Nicolás Maduro enfrenta forte oposição e manifestações nas ruas.

- O adeus a Fidel Castro -Em 26 de novembro, Fidel Castro, pai da Revolução Cubana e última grande figura do comunismo internacional, morreu aos 90 anos, após desafiar 11 presidentes americanos.

- Relatividade - Em fevereiro, um grupo de físicos anunciou a detenção de ondas gravitacionais, confirmando uma previsão de Albert Einstein em sua teoria da relatividade geral de 1915.

- Rock: lágrimas e prêmios -O rock perdeu várias lendas este ano, entre elas o britânico David Bowie, o americano Prince, o canadense Leonard Cohen e o britânico George Michael.

Mas 2016 também coroou Bob Dylan com o Prêmio Nobel de Literatura.

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