Navalny, o opositor determinado a desafiar a corrupção russa e Putin

Moscou, 27 Mar 2017 (AFP) - O advogado Alexei Navalny, que luta contra a corrupção das elites russas, é um carismático orador e, às vezes, um nacionalista radical, é o principal opositor liberal de Vladimir Putin, a quem desafiará nas presidenciais de 2018.

Navalny, detido no domingo junto a centenas de pessoas durante uma manifestação organizada por ele que reuniu milhares de pessoas, compareceu nesta segunda-feira ante a justiça em Moscou.

O opositor foi acusado de ter convocado uma mobilização que resultou em perturbação da ordem pública e, por isso, condenado a 15 dias de prisão administrativa.

Navalny, condenado em fevereiro a cinco anos de prisão - com sursis - por desvio de fundos, é um velho conhecido dos tribunais.

Em uma Rússia sem opositores é o último dos moicanos. Seu Partido do Progresso, proibido em 2015, se uniu com outro partido da oposição, Prnas, que apenas apresentou dois candidatos nas legislativas de 2016. Nenhum deles foi eleito.

O advogado, que faz da luta contra a corrupção seu cavalo de batalha, está disposto, apesar de tudo, a desafiar Putin nas próximas eleições presidenciais de março de 2018, e ao partido do poder, a Rússia Unida, segundo ele o "partido dos ladrões e fraudadores".

- Discurso nacionalista -Desde 2007, ele combate o governo, comprando ações em grupos semipúblicos com a petroleira Rosneft e o gigante do gás Gazprom. Dessa forma, amparando-se na condição de acionista minoritário, exige transparência nas contas.

Navalny ganhou notoriedade nas legislativas de dezembro de 2011, que geraram uma onda e protestos, na qual o advogado se destacou por seu carisma e pela violência de seus ataques contra o Kremlin.

Em setembro de 2013, obteve seu primeiro êxito eleitoral nas municipais de Moscou.

Surpreendeu ao chegar em segundo, com 27,2% dos votos, logo atrás do então prefeito, o ex-chefe de gabinete de Putin, Serguei Sobianin, um resultado que o confirmou como figura essencial da oposição.

Mas Navalny também participou em manifestações de tipo racista, como as da Marcha Russa. No entanto, se afastou nos últimos anos desses movimentos e abafou progressivamente o tom nacionalistas de seus discursos.

No final de 2014, foi condenado a três anos e meio de prisão, com sursis, pelo caso de desvio de funds no valor de 400.000 euros, em detrimento de uma filial russa da sociedade francesa Yves Rocher.

Quando cumpria prisão domiciliar, lançou um apelo para que as pessoas se manifestassem sob as muralhas do Kremlin, que, segundo ele, "não merece existir e deve ser destruido". Foi detido em plena russa, ante as câmeras, como aconteceu neste domingo.

Em fevereiro passado, foi condenado a cinco anos com sursis em um caso de desvio de fundos - já julgado em 2013 e cuja sentença, idêntica, foi depois anulada -, o que pode prejudicar suas ambições presidenciais para 2018.

Navalny geralmente é alvo de reportagens críticas exibidas no horário de grande audiência nos canais públicos de TV.

Sempre negou sua culpa nas acusações e assegura que nada pode deter sua motivação.

"Há coisas na vida pelas quais vale a pena ser preso", declarou no domingo no Twitter, pedindo a seus partidários que prossigam com a luta.

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