França apresenta provas que acusam regime sírio de suposto ataque químico

Paris, 26 Abr 2017 (AFP) - A França afirmou nesta quarta-feira, com base em um relatório do serviço de inteligência do país, que o ataque com gás sarin contra a localidade síria Khan Sheikhun que deixou 88 mortos tem a "assinatura" do regime de Bashar al-Assad.

O documento concluiu "sem dúvidas" que no ataque foi utilizado gás sarin e que leva a marca de fábrica do regime sírio.

"Diante do horror deste ataque e das violações repetidas da Síria de seus compromissos de não voltar a utilizar as armas proibidas pela comunidade internacional, a França decidiu compartilhar com seus sócios e com a opinião pública mundial os relatórios que dispõe", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault.

O chefe da diplomacia francesa fez a declaração à imprensa após um Conselho de Defesa, no Palácio do Eliseu, convocado pelo presidente em fim de mandato François Hollande.

O ataque no dia 4 de abril contra a localidade de Khan Sheikhun, uma zona rebelde na região noroeste do país, matou 88 pessoas, incluindo 31 crianças, segundo o último balanço do Observatório Sírio de Direitos Humanos. Após o ataque, os Estados Unidos bombardearam, em represália, uma base aérea do regime sírio em 7 de abril.

Assad nega categoricamente estar por trás do ataque de Khan Sheikhun e afirma que o mesmo é uma "invenção".

"Não há dúvidas sobre a utilização do sarin, mas é impossível concluir quem é o responsável sem uma investigação internacional", reagiu o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, destacando que Moscou "não entende o fato de a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) se abster até o momento (de fazer) uma investigação assim".

O ministro da Defesa, Serguei Shoigu, reiterou nesta quarta-feira o apoio da Rússia ao regime de Damasco na luta contra o EI e o grupo Frente Fateh al Sham (ex-Frente al-Nosra, braço da Al-Qaeda na Síria).

O comandante russo Serguei Rudskoi também anunciou nesta quarta-feira que Moscou reduziu a quase a metade a força aérea mobilizada em sua base de Hmeimim, na Síria.

No relatório, a França afirma que cinco ataques com gás sarin foram cometidos na Síria desde abril de 2013, com base em imagens obtidas nos locais e em exames realizados nas vítimas, indicou uma fonte diplomática francesa.

O documento se concentra em três aspectos cruciais do ataque de Khan Sheikhun: o tipo de produto, o método de fabricação e o modo de disseminação.

Assim como a OPAQ, Estados Unidos, Reino Unido, Turquia e França consideram que o gás sarin foi utilizado no ataque de Khan Sheikhun.

As autoridades francesas acusam o regime de Damasco com base, sobretudo, no método de fabricação.

"O método tem a assinatura do regime", disse Ayrault.

O sarin recolhido em Khan Sheikhun foi comparado com amostras obtidas pela França após um ataque de 2013, também atribuído ao regime sírio, em Saraqeb (noroeste).

"Podemos confirmar que o sarin usado em 4 de abril é o mesmo que foi utilizado no ataque de Saraqeb em 29 de abril de 2013", afirmou o chanceler.

Nos dois casos foram encontrados rastros de hexamina, um estabilizador.

"Este método de fabricação é o utilizado pelo CERS para o regime sírio", destaca o relatório, em referência ao Centro de Pesquisas e Estudos Científicos da Síria.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis, afirmou na sexta-feira que "não há dúvidas" de que o regime sírio conservou armas químicas. Washington decidiu adotar sanções contra os 271 cientistas do CERS.

A França também afirmou, com base na análise do contexto militar, que um caça Sukhoi 22 que decolou da base de Shayrat bombardeou Khan Sheikhun em 4 de abril. Apenas o regime sírio dispõe desta aeronave na região.

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