Estado Islâmico reivindica ataque contra cristãos no Egito

Cairo, 27 Mai 2017 (AFP) - O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou neste sábado o ataque cometido no dia anterior no centro do Egito contra cristãos coptas, que matou 29 pessoas, incluindo muitas crianças, segundo sua agência de propaganda Amaq.

"Um dos destacamentos de segurança do EI realizou um ataque ontem em Minya, visando um ônibus que transportava coptas", indicou o EI por meio da Amaq.

O último balanço de mortos no ataque era de 29, de acordo com o escritório do primeiro-ministro egípcio Chérif Ismaïl.

O ministério da Saúde havia indicando na sexta-feira que um "grande número de crianças" estava entre as vítimas.

O Ministério do Interior indicou que os criminosos estavam a bordo de três picapes quando abriram fogo contra o ônibus que seguia para monastério de São Samuel, mais de 200 km ao sul do Cairo, antes de fugir.

Em resposta, a Força Aérea egípcia bombardeou campos de treinamento de extremistas em Derna, na vizinha Líbia, segundo a TV estatal. Testemunhas relataram quatro ataques aéreos contra a cidade, controlada por uma milícia ligada a Al-Qaeda.

Um porta-voz do Majless Muyahidin Derna, grupo que ocupa a cidade, declarou nas redes sociais que apenas locais civis foram atingidos nos bombardeios.

"O Egito não duvidará em atacar os campos dos terroristas, dentro ou fora do país", declarou o presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sissi.

E neste sábado, o ministro egípcio das Relações Exteriores, Sameh Choukri, declarou que os autores do ataque foram treinados na Líbia.

"Há informações suficientes e provas concretas sobre o treinamento em campos terroristas na Líbia dos autores do ataque", afirmou ao seu colega americano, Rex Tillerson, segundo um comunicado do seu ministério.

A aviação leal ao marechal Khalifa Haftar, homem forte do leste líbio, teria participado dos ataques aéreos realizados pelo Egito.

Os bombardeios foram denunciados pelo Governo de União Nacional (GNA) líbio, com sede em Trípoli e apoiado pela comunidade internacional.

Segundo as autoridades do GNA, os ataques representam "um atentado contra a soberania do país".

A facção egípcia do EI realiza há meses uma campanha de ataques contra a minoria cristã copta.

Nos últimos seis meses, o EI reivindicou atentados suicidas contra duas igrejas coptas que deixaram 45 mortos ao norte do Cairo no início de abril, assim como um ataque contra um templo copta no centro da capital que provocou 29 mortes em dezembro.

Após os ataques do Domingo de Ramos, o presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sissi, declarou estado de emergência por um prazo de três meses. Ele acusou na ocasião os extremistas de tentar dividir o país com atentados contra as minorias.

Os coptas são uma das comunidades cristãs mais importantes do Oriente Médio, e uma das mais antigas. No Egito, os muçulmanos sunitas são maioria.

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