Especialistas da CIDH foram alvo de espionagem no México pelo caso Ayotzinapa

México, 10 Jul 2017 (AFP) - Os investigadores enviados ao México pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) após o desaparecimento de 43 estudantes de Ayotzinapa, em setembro de 2014, foram alvo de espionagem, revelou um estudo na segunda-feira.

Um telefone utilizado pelos especialistas da CIDH recebeu mensagens de texto com o propósito de ser infectado pelo software de espionagem Pegasus, fabricado pela empresa israelense NSO Group e que se vende exclusivamente a governos para combater terroristas e criminosos, indica uma análise da Universidade de Toronto.

Este sistema foi adquirido pelo governo do México.

Os fatos ocorreram no início de março de 2016, pouco depois dos especialistas "criticarem o governo mexicano por interferir na sua investigação, e enquanto preparavam seu relatório final" sobre este crime, que levou o governo a ser criticado por parte da comunidade internacional, acrescenta o artigo.

A CIDH considerou "extremamente preocupante" a informação apresentada por membros do denominado Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI) denunciando a suposta espionagem, afirmou o presidente desta Comissão da OEA, o peruano Francisco Eguiguren.

"Deve ser feita uma investigação com todas as garantias de independência e imparcialidade, que estabeleça as responsabilidades tanto materiais como intelectuais das supostas ações de espionagem", disse Eguiguren à AFP.

A análise da universidade canadense confirmou também que "ao menos 19 pessoas foram alvo do programa NSO no México, incluindo advogados, políticos, jornalistas, ativistas que combatem a corrupção, cientistas, defensores da saúde pública, agentes do governo e seus familiares".

Trata-se de "um abuso sistemático desta tecnologia, maior do que vimos em qualquer outro caso examinado" nos últimos cinco anos, disse à AFP John Scott-Railton, um dos principais investigadores do Citizen Lab da Universidade de Toronto.

Embora o acadêmico não possa assegurar que a espionagem tenha sido realizada pelo governo mexicano, afirma que quem a fez "estava extremamente motivado em se concentrar nas críticas contra o governo e naqueles que desafiaram a posição do governo em uma ampla gama de temas".

O escândalo sobre a suposta espionagem foi revelado em 19 de junho pelo jornal americano The New York Times, que publicou as descobertas da Universidade de Toronto e de outras organizações.

Isso levou um grupo de ativistas e jornalistas a denunciar legalmente o governo do México por interferir em seus telefones celulares.

Alguns dos compradores do Pegasus são o Ministério da Defesa Nacional do México e a procuradoria-geral.

A presidência do México negou estar por trás destas espionagens, e a procuradoria-geral anunciou uma investigação sobre este caso.

O grupo da CIDH, que trabalhou no México durante um ano, refutou a chamada "verdade histórica" da procuradoria, que afirmava que os estudantes da escola rural de Ayotzinapa (no estado de Guerrero) tinham sido massacrados por policiais coniventes com narcotraficantes, que seus corpos foram incinerados em um lixão e seus restos jogados em um rio.

No entanto, até agora só foram plenamente identificados os restos de um estudante.

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