TOPSHOTS Ruas do Paquistão continuam ocupadas, e país vive tensão

Islamabad, 26 Nov 2017 (AFP) - O Paquistão vive, neste domingo (26), um momento de grande incerteza, após a fracassada dispersão, na véspera, de uma manifestação islâmica na entrada da capital, enquanto o exército parece ter receio de intervir nesta crise.

No começo desta tarde, milhares de manifestantes continuavam a ocupar uma ponte na estrada, como nas últimas três semanas, paralisando a principal via de acesso a Islamabad, o que força milhares de viajantes a passar horas nos transportes todos os dias.

"Fora de controle", "Caos na capital": a imprensa paquistanesa não economizou nos títulos um dia após o fracasso da polícia em desalojar centenas de manifestantes islâmicos entrincheirados no local.

Pelo menos sete pessoas morreram e 320 ficaram feridas nos enfrentamentos deste sábado entre forças de segurança e manifestantes.

"Mal preparada", a operação só conseguiu reforçar a determinação dos manifestantes. A onda de protestos se estendeu a outras cidades, como Karachi e Lahore, segundo o jornal Dawn.

O governo do Paquistão pediu, no sábado, para o exército intervir para reinstaurar a ordem em Islamabad, mas as forças militares paquistanesas ainda não se pronunciaram publicamente.

Nenhum militar estava à vista neste domingo no local de manifestação.

A manifestação é dirigida por integrantes de um grupo religioso pouco conhecido, o Tehreek-i-Labaik Yah Rasool Allah Pakistan (TLYRAP), que exige a demissão do ministro de Justiça, após uma controvérsia sobre uma emenda, eventualmente descartada, à polêmica lei sobre a blasfêmia.

Os membros ou simpatizantes do grupo impedem, por vezes de forma violenta, que milhares de paquistaneses cheguem à capital diariamente, onde muitos trabalham. Desde que começaram os protestos, os trajetos duram horas. Um menino de 8 anos morreu porque não conseguiu chegar a tempo ao hospital.

- Confusão -O protesto não se limita à capital. Na metrópole portuária de Karachi, ao sul, a polícia retirou, neste domingo, vários "sit-ins", manifestações pacíficas de ocupação, apesar de muitas outras continuarem a ser formadas.

A situação é idêntica em Lahore, onde centenas de manifestantes passaram a noite nas ruas, em diferentes locais da cidade.

A crise acontece num momento difícil para o poder civil, poucos meses após a queda, por corrupção, do primeiro-ministro Nawaz Sharif, a alguns meses das eleições legislativas, que estão incertas.

O atual governo, liderado por Shahid Khaqan Abbasi, fiel a Sharif, é criticado há dias por sua lentidão e debilidade na gestão da crise.

O Executivo foi chamado de "fraco" por demorar a retirar, à força, os manifestantes, devido ao temor de que essa decisão tenha um alto custo político, perto das legislativas.

Os manifestantes fazem parte da seita barelvi, do movimento sufi, uma corrente mística do Islã, considerada moderada.

Mas a execução, no ano passado, de um de seus membros, Mumtaz Qadri, pelo assassinato do governador liberal de Punyab, Salman Taseer, devido às suas posições sobre a blasfêmia, levaram alguns deles a adotar uma postura mais dura.

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