EUA pede moderação à Turquia no quinto dia de sua ofensiva na Síria

Washington, 25 Jan 2018 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exortou nesta quarta-feira (24) seu contraparte turco, Recep Tayyip Erdogan, a limitar as ações militares de seu país contra posições curdas no nordeste da Síria.

Washington, cujas relações com Ancara são distantes há um ano, teme que a operação contra as forças que apoia na Síria prejudique a luta contra o grupo Estado Islâmico (EI), sobretudo considerando que os combatentes curdos que Erdogan decidiu eliminar foram no ano passado determinantes para a tomada de Raqa das mãos dos extremistas.

Em um telefonema, o republicano "pediu à Turquia para reduzir e limitar suas ações militares", e pediu ao presidente turco que evite "toda ação que possa provocar um confronto entre as forças turcas e americanas".

Trump insistiu também, segundo um comunicado da Casa Branca, no fato de que "ambos os países têm que concentrar (seus) esforços (...) na derrota do EI".

Embora tenha reconhecido que a Turquia pode ter "preocupações legítimas" em termos de segurança, também destacou "preocupações sobre a retórica falsa e destrutiva procedente da Turquia", sobretudo no que "concerne aos cidadãos dos Estados Unidos".

As declarações de Trump foram respaldadas nesta quarta-feira pelo enviado especial americana diante da coalizão internacional extremista, Brett McGurk.

"Estamos dispostos a trabalhar com a Turquia sobre suas preocupações legítimas relativas à segurança, mas uma operação prolongada poderia dar uma sobrevida ao EI, que agora se encontra no caminho da derrota", escreveu McGurk no Twitter após visita à Síria.

Recep Tayyip Erdogan pediu a Washington que acabe com o apoio armado às unidades de Proteção Popular curdas (YPG), alvo da Turquia na Síria, insistindo no fato de que Ancara atua nos limites do direito internacional, em nome da segurança e do direito à autodefesa, segundo informações da agência estatal Anatólia.

- Foguetes na Turquia -No terreno, dois mísseis lançados da Síria deixaram dois mortos nesta quarta-feira no povoado do sul da Turquia, Kilis, onde atingiram uma mesquita e uma moradia, segundo uma correspondente da AFP no local.

Duas pessoas, originárias da Turquia e da Síria, morreram e 11 ficaram feridas, aponta o comunicado do governo de Kilis, que atribui os disparos aos combatentes das YPG, consideradas "terroristas" por Ancara.

Pouco depois, em Kilis, foram ouvidos disparos de resposta por parte da artilharia turca em direção à Síria.

Horas antes dos lançamentos de foguetes, Erdogan anunciou, em um discurso em Ancara, que "o exército turco e o exército sírio livre estão tomando o controle de Afrin passo a passo". "Esta operação vai continuar até a eliminação do último membro desta organização terrorista", acrescentou.

Segundo o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahmane, nesta quarta-feira vários ataques turcos se concentraram nas áreas fronteiriças, no noroeste e o nordeste da região de Afrin, "para forçar as YPG a regular e abrir caminho para um avanço terrestre".

Segundo Rahmane, no entanto, as forças turcas e seus aliados avançaram.

Desde sábado, morreram mais de 90 combatentes das YPG e de grupos rebeldes sírios favoráveis a Ancara, assim como 30 civis, a maioria em bombardeios turcos, segundo a OSDH.

Ancara, que desmente ter atacado civis e afirma ter liquidado pelo menos 287 "terroristas", disse que também morreram três soldados turcos.

A Alemanha, por sua vez, indicou que pedirá ao ministro turco de Defesa explicações sobre a ofensiva, diante do debate gerado no país pela difusão de imagens de tanques alemães "Leopard 2" usados contra os combatentes das YPG.

A Turquia lançou sua operação depois que a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos contra os extremistas anunciou a criação de uma força fronteiriça de 30.000 efetivos no norte da Síria, composta sobretudo de membros das YPG.

Este anúncio suscita a ira de Ancara, que considera que as YPG são um grupo terrorista vinculado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que executa insurgência na Turquia há três décadas e também é considerada terrorista pela Turquia e seus aliados.

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