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Presos por terrorismo, detentos de Guantánamo envelhecem e viram problema para os EUA

Richard Perry/The New York Times
Imagem: Richard Perry/The New York Times

24/05/2018 14h51

Chegaram à Baía de Guantánamo, em Cuba, como homens jovens, capturados nos campos de batalha do Afeganistão e de outros lugares, no início da guerra contra o terrorismo empreendida pelos Estados Unidos após os ataques de 11 de setembro de 2001.

Mais de 15 anos depois, a maioria dos reclusos do famoso presídio de alta segurança dos EUA já chegaram à maturidade, ou sofrem com problemas de saúde ligados à idade, agravados também pela vida anterior à prisão.

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Recentemente, a Casa Branca pareceu reconhecer o óbvio: sem um plano, ou uma vontade política de fazer algo com os 40 internos que restam em Guantánamo, alguns deles poderiam ficar ali pelo resto da vida.

Manifestantes contra Guantánamo, nos Estados Unidos, em maio de 2018 - Jacquelyn Martin/AP Photo - Jacquelyn Martin/AP Photo
Críticas internas: manifestantes nos EUA protestam contra tratamento dispensado a presos de Guantánamo
Imagem: Jacquelyn Martin/AP Photo
A instalação "tem falhas estruturais e de sistema que, se não forem tratadas, no futuro poderiam apresentar riscos à vida e à segurança das nossas forças de proteção e dos detidos", declarou a Casa Branca a legisladores, ao pedir fundos adicionais para reconstruir a prisão.

"Tampouco cumpre os requisitos da população de detidos envelhecidos", acrescentou.

O Pentágono não divulga informações sobre os internos de Guantánamo, mas os arquivos vazados pelo WikiLeaks e publicados no New York Times dão uma ideia.

Em média, a idade dos presos é de 46,5 anos. Mas as torturas, os conflitos e as más condições de vida anteriores a sua captura, junto com a reclusão atual, pioram o seu estado de saúde.

O mais velho, o paquistanês Saifullah Paracha, completará 71 anos em agosto. O mais jovem é o cidadão saudita Hassan Mohammed Ali Bin Attash, que nasceu em 1985 e agora tem 32 ou 33 anos. Tinha apenas 16 ou 17 anos quando foi capturado em 2002.

Nem o Pentágono nem a Baía de Guantánamo responderam imediatamente às solicitações de comentários.

Rampas para cadeiras de rodas

Talvez o preso mais famoso de Guantánamo seja o suposto autor intelectual do 11 de setembro, Khalid  Sheikh  Mohammed, hoje está com 53 anos.

O bigode preto que usava quando foi capturado em 2003 cresceu até se tornar uma volumosa barba grisalha, que agora pinta de ruivo.

James Connel, advogado de Ramzi  Binalshibh, acusado de ser um dos co-conspiradores de Mohammed, disse que notou algumas adaptações para os presos envelhecidos.

"Alguns dos espaços para os encontros entre advogados e clientes agora têm rampas para cadeiras de rodas", contou à AFP, acrescentando que também viu alças para ajudar os reclusos a se levantarem do vaso sanitário.

Mas, destacou, "há grande necessidade de tratamentos não fornecidos".

Entre as doenças crônicas ligadas à idade que podem se agravar pela reclusão estão insuficiência cardíaca, diabetes, problemas cognitivos e doença hepática.

Enormes custos

Aos contribuintes americanos, custa mais de 450 milhões de dólares por ano manter os prisioneiros na Baía de Guantánamo.

Essa cifra só aumentará à medida que envelhecem, disse a especialista em Segurança da Anistia Internacional, Daphne  Eviatar, já que aos Estados Unidos "é exigido, segundo o Direito Internacional, que deem tratamento médico a eles".

Ao mantê-los em Guantánamo, o governo dos Estados Unidos essencialmente está se comprometendo a cuidar deles pelo resto de suas vidas" 

Daphne Eviatar, da Anistia Internacional

Muitos americanos desconhecem que seu país ainda tenha prisioneiros na instalação de Cuba.

Cinco deles foram acusados de conspiração para realizar os atentados de 2001 e estão sendo julgados por um processo especial assolado por desafios legais e demoras intermináveis.

Dos restantes, dois foram acusados de outros crimes, dois foram condenados e cinco receberam ordens de libertação durante o governo de Barack Obama, mas ficaram presos sob o mandato de Donald Trump, que disse querer enviar os capturados do grupo Estado Islâmico para Guantánamo.

Mas a maioria - 26 reclusos - nunca foi acusada de nada e, contudo, são considerados perigosos demais para serem deixados em liberdade.

Nove detidos já morreram em Guantánamo desde que a prisão abriu suas portas, em 2002, principalmente devido a suicídios, segundo os militares.

Diante da situação, é pouco provável que essas mortes sejam as últimas.

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