Conte tenta formar novo governo italiano

Roma, 25 Mai 2018 (AFP) - O advogado Giuseppe Conte, que tem a missão de formar o governo da Itália, tentava completar nesta sexta-feira (25) a lista de ministros, objeto de complexas negociações entre as forças populistas que propuseram este novato na política na tarefa de dirigir o país.

"Vou dedicar toda esta sexta-feira a preparar a lista de ministros, que serão todos políticos", anunciou Conte na véspera, após se reunir com todos os membros do Parlamento.

O jurista, de 53 anos e sem experiência política, deverá mostrar sua qualidade de mediador entre as exigências da formação antissistema Movimento 5 Estrelas (M5E) e a Liga Norte, de ultradireita.

A tarefa de Conte para formar o 65º Executivo desde 1946 não tem precedentes em 72 anos de história republicana.

As duas forças políticas, vencedoras das eleições legislativas, contam, unidas, com a maioria no Parlamento para governar.

É muito provável que seus dois líderes, com personalidade forte e ideias diferentes, façam parte do gabinete como ministros de pastas-chave, o que gera muitas interrogações.

O jovem Luigi Di Maio, de 31 anos, com M5E, aspira a ocupar o Ministério de Desenvolvimento Econômico e Trabalho para poder garantir a aplicação das partes mais sociais do acordo alcançado; enquanto isso, Matteo Salvini, da Liga Norte, ocuparia o Ministério do Interior, à frente da ordem pública e dos imigrantes.

Mas o ponto mais delicado para Conte é o cargo estratégico de ministro da Economia. O candidato que aparece como mais provável é o eurocético economista Paolo Savona, de 81 anos.

Este ex-diretor de grandes empresas e de uma financeira que trabalha com bitcoins foi muito crítico com a evolução da União Europeia e a moeda única.

"O euro é a amarra da Itália", declarou há alguns meses.

Salvini, que defende a candidatura de Savona, chegou a incomodar o presidente da República, Sergio Mattarella, que advertiu que não irá tolerar vetos ou ordens quando tiverem que indicar os ministros, de acordo com a imprensa.

Conte prometeu a Mattarella em seu primeiro discurso público que o futuro governo respeitará os tratados internacionais e seus compromissos com a Europa.

O suspense sobre o futuro ministro da Economia gera preocupação no Velho Continente.

O "spread", a brecha entre as taxas de empréstimo a 10 anos de Itália e Alemanha, superou os 200 pontos nesta sexta.

O vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, lançou novamente uma advertência à Itália.

"A mensagem da Comissão Europeia é muito clara: é importante que a Itália continue mantendo políticas fiscais e macroeconômicas responsáveis", declarou.

"Estamos certos que, uma vez que passarmos das palavras à ação, todos se tranquilizarão. Nosso objetivo é que a Itália cresça", repetiu Salvini.

O chefe de Governo em fim de mandato, Paolo Gentiloni, mostrou seus temores durante uma cerimônia de despedida com os funcionários de seu governo.

"Superar os obstáculos como fizemos nos últimos cinco anos não é fácil. É necessário perseverança, constância e sacrifício. Para arruinar tudo isso não são necessários cinco anos nem poucos meses. Algumas semanas são suficientes", advertiu.

bur-kv/es/cb

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