Dívida italiana está na mira dos mercados financeiros

Milão, 28 Mai 2018 (AFP) - A colossal dívida italiana está na mira dos mercados financeiros, inquietos com a incerteza política e uma possível nova vitória das forças antissistema nas próximas eleições.

O "spread" - a proporção entre os juros das dívidas alemã e italiana a 10 anos, muito acompanhada pelos mercados - atingiu seu nível mais alto desde novembro de 2013, a 235 pontos. Em duas semanas, ele ganhou 100 pontos.

Ainda está bem longe, contudo, da taxa em novembro de 2011, quando alcançou 575 pontos antes da queda do governo de Silvio Berlusconi.

Mas justamente seu nível elevado e a queda da Bolsa de Milão levaram o presidente italiano Sergio Mattarella e rejeitar, como ministro de Economia, Paolo Savona - economista defensor de um "plano B" para a Itália sair do euro.

Savona tinha sido indicado pelo Movimento 5 Estrelas (M5E, antissistema) e pela Liga (extrema direita), majoritários no Parlamento.

Em reação, os dois partidos renunciaram a formar um governo, abrindo a via para uma gestão técnica por Carlo Cottarelli, ex-funcionário do Fundo Monetário International (FMI) e representante da austeridade orçamentária, enquanto o país aguarda novas eleições.

- Dois trilhões de euros -"A incerteza da posição italiana em relação ao euro alarmou investidores e poupadores (...). A alta do spread aumenta a dívida e reduz a possibilidade de despesas no campo social. Isso afeta os recursos e a poupança das empresas e configura um risco para as famílias e cidadãos europeus", justificou Mattarella.

Quanto maior a preocupação, maiores as taxas para novos empréstimos e mais o país tem que gastar com juros.

No entanto, segundo Eric Dor, diretor da Escola de Administração da IESEG, os novos títulos ainda são emitidos a uma "taxa mais baixa do que os antigos, que venceram e tinham sido emitidos em condições muito custosas".

Assim, "mesmo com um aumento moderado nas taxas", "a taxa média de juros de toda a dívida pública continuará encolhendo" por enquanto.

A dívida italiana chegava, no fim de março, a 2,302 trilhões de euros. Isso representa cerca de 132% do seu Produto Interno Bruto (PIB) - a maior proporção na Europa depois da Grécia, muito acima do limite de 60% imposto pela União Europeia.

Governos anteriores tomara um caminho bem-sucedido de redução da dívida, atuando no déficit público.

Mas o programa anunciado pela Liga e pelo M5S - cujas principais medidas custariam 100 bilhões de euros, segundo a Oxford Economics - arriscou tirar esse processo dos trilhos.

Esse risco parece ter sido adiado apenas por alguns meses, já que espera-se que a Liga receba 22% dos votos na próxima eleição (contra 17% obtidos em 4 de março) e o M5S cerca de 32% (como em março).

- Nota sob observação -Na sexta-feira, diante das medidas "caras" programadas, a agência Moody's colocou a nota da dívida italiana sob vigilância para uma possível degradação.

A preocupação é com os bancos italianos, que detêm mais de 20% da dívida, segundo a CMC Markets UK.

Quando as taxas sobem, o valor dos títulos que eles compraram anteriormente deve diminuir em seu balanço patrimonial.

O Morgan Stanley estima que, se as taxas a 10 anos ficarem acima de 2,4% por um longo período - elas estavam em torno de 2,6% nesta segunda -, há um risco de contágio nos bancos.

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