General norte-coreano a caminho dos EUA para preprar cúlupa Trump-Kim

Seul, 29 Mai 2018 (AFP) - Um dos generais de maior patente da Coreia do Norte está a caminho dos Estados Unidos para os preparativos de uma cúpula histórica entre o presidente Donald Trump e líder norte-coreano Kim Jong Un.

A Casa Branca continua "se preparando ativamente" para a cúpula, originalmente programada para 12 de junho em Singapura, informou nesta terça-feira a porta-voz do Executivo americano, Sarah Sanders.

"Desde a carta do presidente ao líder norte-coreano Kim Jong Un em 24 de maio, os norte-coreanos estão comprometidos" com a realização do encontro, garantiu, apontando que, nesta perspectiva, "Trump se reunirá com o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe em 7 de junho na Casa Branca".

Além disso, a presidência americana anunciou que o general norte-coreano Kim Yong Chol que está a caminho dos Estados Unidos vai se encontrar com o secretário de Estado, Mike Pompeo, em Nova York.

"Armamos uma grande equipe para nossas práticas com a Coreia do Norte. Atualmente estão sendo mantidas as reuniões às vésperas da cúpula. Kim Yong Chol, vice-presidente do partido do governo da Coreia do Norte, viaja agora para Nova York. Uma sólida resposta à minha carta, obrigado!", escreveu Trump em um tuíte.

O general Kim Yong Chol aterrizou no aeroporto de Pequim nesta quinta-feira e seguirá viagem até Nova York no dia seguinte, depois de se reunir com oficiais chineses, segundo havia informado mais cedo a agência de notícias sul-coreana Yonhap, citando fontes diplomáticas.

Essa viagem faz parte do frenesi diplomático para preparar a esperada cúpula entre Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong Un, prevista para 12 de junho em Singapura.

No domingo, uma equipe de diplomatas americanos dirigida pelo embaixador dos Estados Unidos nas Filipinas, Sung Kim, se reuniu com responsáveis norte-coreanos em Panmunjom, na zona desmilitarizada que separa as duas Coreias.

O Departamento de Estado anunciou ainda que uma delegação americana estava viajando para Singapura para preparar a logística da cúpula.

- Clinton em 2000 -Segundo Chung Sung-yoon, especialista do Instituto da Coreia para a Unificação Nacional, Kim Yong Chol será o mais alto responsável norte-coreano a viajar aos Estados Unidos desde a visita do vice-marechal Jo Myong Rok, que em 2000 se reuniu com o ex-presidente Bill Clinton.

Jo, veterano da Guerra de Coreia (1950-1953), foi, até a sua morte aos 82 anos em 2010, uma das personalidades mais poderosas do regime.

O general Kim Yong Chol faz parte do entorno de Kim Jong Un e foi um dos protagonistas no processo que levou à distensão diplomática desde janeiro na península coreana.

Ele estava sentado atrás da filha de Donald Trump, Ivanka, que é assessora da Casa Branca, na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Pyeongchang, na Coreia do Sul.

Também acompanhou Kim Jong Un em duas de suas viagens recentes à China e se reuniu com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, quando ele viajou para Pyongyang.

- 'Criminoso de guerra' -O general Kim, cujo título oficial é o de vice-presidente do comitê central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, é uma figura muito controversa na Coreia do Sul. Ele é acusado de ter ordenado o lançamento do torpedo em 2010 contra a corveta sul-coreana "Cheonan", incidente em que morreram 46 fuzileiros.

A Coreia do Norte nega ser responsável pelo incidente.

Entre 2009 e 2016 o general Kim dirigiu os serviços de espionagem norte-coreanos.

Legisladores da oposição sul-coreana haviam protestado em fevereiro contra a visita para os Jogos Olímpicos de um homem que classificam como "criminoso de guerra diabólico".

Na segunda-feira, a televisão japonesa NHK difundiu imagens da chegada a Singapura de Kim Chang Son, um conselheiro de Kim.

A NHK também informou que um avião oficial americano no qual viaja uma delegação integrada pelo vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Joe Hagin, partiu da base aérea de Yokota, no Japão, em direção de Singapura.

O jornal Washington Post informou que as negociações continuavam na zona desmilitarizada entre as delegações americana e norte-coreana.

Washington exige de Pyongyang uma "desnuclearização completa, verificável e irreversível" antes de aliviar as sanções internacionais que pesam sobre a Coreia do Norte.

Mas até agora Pyongyang nunca aceitou pagar esse preço, e apresenta seu arsenal como a garantia de sobrevivência do regime.

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