Investigadores se concentram no perfil do autor de ataque na Bélgica

Liege, Bélgica, 30 Mai 2018 (AFP) - Os investigadores belgas tentavam nesta quarta-feira decifrar o perfil de Benjamin Herman, um delinquente reincidente que se radicalizou na prisão e foi morto na véspera, após assassinar duas policiais e um civil em uma suposta ação "terrorista".

A Procuradoria federal encarregada dos casos de terrorismo assumiu a investigação, "já que existem elementos que apontam para um atentado terrorista", declarou o porta-voz da instituição, Eric Van Der Sypt.

Benjamin Herman, nascido em 1982, era fichado por seus contatos com radicais islâmicos e se radicalizou ao longo de suas passagens pela prisão, disse à AFP uma fonte próxima à investigação.

Um vídeo amador mostra Herman gritando "Alá Akbar" (Alá é grande) enquanto caminha. A autora da gravação responde: "sai daqui" e o xinga.

Outro vídeo amador parece mostrar Herman gritando "Alá Akbar" enquanto ataca as policiais.

O primeiro-ministro belga, Charles Michel, denunciou no Twitter uma "violência covarde e cega".

O ataque a tiros ocorreu por volta das 10h30 (05h30 de Brasília) no Boulevard Avroy, uma das principais artérias da cidade.

O agressor primeiro atacou duas policiais com uma faca, antes de pegar suas armas para assassiná-las.

Essas duas mulheres, funcionárias da Polícia local, foram "agredidas pelas costas", recebendo "múltiplas facadas", indicou em entrevista coletiva o promotor de Liege, Philippe Dulieu.

- Contatos islamitas -Depois de roubar as armas das policiais, o agressor matou uma terceira pessoa, atirando contra um homem de 22 anos que estava no banco do passageiro em um carro estacionado.

Em um segundo momento, após um curto sequestro e o triplo assassinato, uma nova troca de tiros ocorreu, e quatro outros policiais foram "feridos nas pernas", acrescentou Dulieu.

O agressor foi morto a tiros pela Polícia.

Descrito como um delinquente, várias vezes condenado por roubo, agressão e tráfico de drogas, Benjamin Herman estava preso desde 2003, mas havia recebido autorização de saída quando passou à ação nesta terça-feira. Ele já havia se beneficiado de cerca de 20 saídas temporárias que transcorreram sem problemas, de acordo com o ministro belga da Justiça, Koen Geens, citado pela agência de notícias Belga.

Segundo uma fonte ligada à investigação, a Polícia belga havia fichado o jovem por seus contatos com radicais islâmicos na prisão de Lantin (leste), onde "se radicalizou".

"Ele estava em fuga após ter cometido um homicídio na noite passada" em On, entre Marche e Rochefort (sul), indicou a mesma fonte.

De acordo com a imprensa local, um dependente químico de 30 anos foi encontrado morto em sua casa em On, provavelmente assassinado com um martelo. Mas a Procuradoria de Luxemburgo preferiu não estabelecer uma relação entre os casos neste estágio da investigação.

"Está claro que o objetivo do assassino era atacar a Polícia", afirmou Christian Beaupere, chefe da Polícia de Liège, indicando que um dos quatro policiais feridos se encontra em estado grave, pois foi atingido na artéria femural, mas não corre risco de morte.

A Bélgica, atingida por ataques extremistas que deixaram 32 mortos em 22 de março de 2016, já foi palco de vários atentados contra militares ou policiais.

A última ação de natureza terrorista ocorreu em 25 de agosto de 2017: um homem de 30 anos de origem somali agrediu soldados com uma faca, ferindo levemente um deles, gritando "Allahu Akbar" no coração de Bruxelas. Ele foi morto.

Em 6 de agosto de 2016, um argelino que vivia na Bélgica atacou com um machado dois policiais em frente à delegacia de Polícia de Charleroi (sul) aos gritos de "Allahu Akbar", ferindo-os no rosto e no pescoço antes de ser abatido. O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou a responsabilidade pelo ataque no dia seguinte.

Em setembro de 2016, no município de Molenbeek, em Bruxelas, dois policiais foram atacados, mas não se feriram graças ao uso de colete à prova de balas.

Consultado nesta terça-feira, o Ocam, órgão responsável por avaliar a ameaça terrorista na Bélgica, decidiu manter inalterado o nível 2, correspondente a uma ameaça considerada "pouco provável".

O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou a "solidariedade do povo francês para com o povo belga" após este "terrível ataque".

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