PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Americano pego ao nascer no Chile se reencontra com mãe biológica

28/08/2018 17h49

Santiago, 28 Ago 2018 (AFP) - O cidadão americano Jeremy Pixton conseguiu encontrar, após 41 anos, a sua mãe biológica no Chile, em uma das milhares de adoções irregulares ocorridas durante a ditadura de Augusto Pinochet que são investigadas pela Justiça.

Pixton viajou ao Chile e se reuniu nesta terça-feira (28) em Santiago com o juiz especial de Direitos Humanos, Mario Carroza, que desde janeiro faz uma extensa investigação sobre a subtração de menores.

Na quarta-feira, o americano viajará até a ilha de Chiloé, no sul do Chile, para finalmente se reencontrar com a sua mãe, Blanca Gallardo.

"É um sonho, é incrível ter a oportunidade de conhecê-la", declarou nesta terça à imprensa, ao sair de sua reunião com o juiz Carroza.

Pixton nasceu em outubro de 1976 no hospital San Borja de Santiago, de onde foi dado em adoção, por meio de um advogado chileno e membros da Igreja mórmon no país, a um casal americano que pertencia à mesma religião em Utah, nos Estados Unidos.

Mas, na realidade, Pixton foi tomado de sua mãe, a quem, no hospital, disseram que seu filho havia nascido morto.

"Ela sequer suspeitava que seu filho pudesse estar vivo, sequer procurava por ele", afirmou Constanza del Río, diretora da ONG "Nos Buscamos", dedicada desde 2014 à busca de crianças que foram subtraídas, e que possibilitou o reencontro de Pixton com a sua família biológica.

A sua história é similar aos milhares de casos investigados pelo juiz Carroza.

Embora até agora tenha sido descartado o sequestro de crianças como método repressivo por parte da ditadura de Pinochet (1973-1990), consideram que as condições dessa época tenham facilitado a ação de grupos dedicados a "capturar" crianças para enviá-las ao exterior com fins econômicos.

Acredita-se que assistentes sociais, religiosos, médicos e funcionários municipais e de hospitais tenham tido um papel protagonista, detectando mães vulneráveis e depois tomando as crianças ou enganando seus pais para que lhes dessem em adoção.

À medida que os primeiros casos se tornaram públicos e foram conformados grupos de busca nas redes sociais, muitas mães e filhos se deram conta de que milhares de pessoas compartilhavam a sua experiência.

A ONG "Nos Buscamos" contabiliza até agora 32 reencontros, enquanto outra organização similar, "Hijos y madres del silencio", já alcançou mais de 100.

Internacional