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Benny Gantz, um general que sonhar em ser premiê de Israel

Oded Balilty - 1º.mar.2019/AP
Imagem: Oded Balilty - 1º.mar.2019/AP

Em Jerusalém (Israel)

17/09/2019 09h26

O general Benny Gantz, ex-comandante do Estado-Maior de Israel e principal rival de Benjamin Netanyahu, estabeleceu como sua missão devolver a "honra" ao posto de primeiro-ministro e encarnar a luta contra a corrupção.

Antes de entrar na batalha eleitoral israelense em dezembro, o ex-paraquedista de 59 anos era um novato na política. Mas criou um novo partido centrista, "Kahol Lavan" (Azul e Branco), as cores da bandeira do país.

Há vários meses muitos especulavam que seria um adversário perigoso para Netanyahu em função do prestígio de sua trajetória militar.

Nas eleições legislativas de abril, Gantz, que recebeu os votos anti-Netanyahu, terminou empatado com o Likud do primeiro-ministro. Mas como este não conseguiu formar uma coalizão de governo, novas eleições foram convocadas. E Gantz retornou mais aguerrido.

Sua mensagem é clara: o objetivo é expulsar do poder Netanyahu, a quem acusa de colocar em perigo as instituições do país.

Gantz propõe aos israelenses uma linha dura para defender o país e uma visão mais liberal em temas sociais e religiosos.

"Nos dias em que comandava a unidade de combate 'Shaldag' em operações no território inimigo, arriscando nossas vidas, você, Benjamin Netanyahu, passava com coragem e determinação de uma sessão de maquiagem para outra nos cenários de televisão", afirmou em fevereiro o general de quase dois metros de altura.

O militar promete unidade após anos de divisões e "tolerância zero" contra os corruptos, no momento em que Netanyahu enfrenta um possível indiciamento por corrupção.

Gantz confia em receber os votos dos eleitores de centro e de parte da coalizão de direita de Netanyahu para tornar-se o terceiro ex-comandante do Estado-Maior israelense a alcançar o cargo de primeiro-ministro, depois de Yitzhak Rabin e Ehud Barak.

Os adversários criticam o programa de governo de Gantz, que chamam de "supermercado", no qual se encontra de tudo.

Benny Gantz nasceu em 9 de junho de 1959 no sul de Israel, na localidade de Kfar Ahim, fundada com a contribuição de seus pais, imigrantes que sobreviveram ao Holocausto.

Gantz se alistou no exército como recruta em 1977, superou os testes de seleção dos paraquedistas e subiu na hierarquia. Dirigiu a Shaldag, unidade de operações especiais da aviação, mais tarde liderou uma brigada e finalmente uma divisão na Cisjordânia ocupada.

Foi adido militar de Israel nos Estados Unidos de 2005 a 2009 e comandante do Estado-Maior de 2011 a 2015. Dirigiu operações durante duas guerras contra a Faixa de Gaza.

Em um de seus vídeos, ele se orgulha do número de "terroristas" palestinos mortos durante a campanha de 2014 em Gaza, sem mencionar as vítimas civis, Em outro afirma não ter vergonha de buscar a paz com os árabes.

Sem menção a dois Estados

A plataforma do "Azul e Branco" defende uma separação entre israelenses e palestinos, mas não menciona a solução de dois Estados, ou seja um palestino ao lado de Israel.

Sobre este tema, o estatuto de Jerusalém, a anexação de parte do Golã ou a política a respeito do Irã é difícil estabelecer diferenças entre o programa de Gantz e o ponto de vista de Netanyahu.

Os adversários de Gantz criticam sua inexperiência política e afirmam que no posto de comandante supremo ele foi indeciso e reticente no momento de assumir riscos. Também apontam sua culpa no que consideram falta de preparo na guerra de 2014 em Gaza.

Gantz é formado em História pela Universidade de Tel Aviv, tem mestrado em Ciências Políticas pela Universidade de Haifa e outro em Gestão de Recursos Nacionais da 'National Defense University' dos Estados Unidos.

É casado e pai de quatro filhos.

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