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Eleição em Israel: a votação que decidirá o futuro de um dos maiores aliados internacionais de Bolsonaro

Simpatizantes de Benjamin Netanyahu, que já é o premiê há mais tempo no poder em Israel - AFP
Simpatizantes de Benjamin Netanyahu, que já é o premiê há mais tempo no poder em Israel Imagem: AFP

16/09/2019 17h30

Benjamin Netanyahu enfrenta, nesta terça, eleições apertadas, que podem consolidar seu poder em Israel ou derrubá-lo.

Os eleitores de Israel vão às urnas amanhã pela segunda vez em seis meses, em um pleito que vai decidir o futuro de um dos principais aliados internacionais de Jair Bolsonaro: o premiê Benjamin Netanyahu corre o risco de ver sua longa predominância na política local chegar ao fim.

A eleição tem sido interpretada como um referendo sobre o próprio governo de Netanyahu, que, em seu quinto mandato, é o primeiro-ministro com mais tempo de cargo na história do país - tendo superado David Ben-Gurion, fundador do Estado de Israel.

Netanyahu foi forçado a convocar eleições depois de sofrer uma das principais derrotas políticas de sua carreira, em abril, quando não conseguiu formar uma coalizão de governo estável. Ele também enfrenta sérias acusações de corrupção, as quais rechaça.

Agora, tem como principais adversários o general da reserva Benny Gantz e seu próprio ex-ministro da Defesa, Avigdor Lieberman.

Gantz, que chefia o partido Azul e Branco (centro-esquerda), tem se apresentado como alguém capaz de amenizar as divisões na sociedade israelense, as quais ele diz terem sido exacerbadas por Netanyahu.

Pesquisas recentes de opinião apontam que o Likud (direita), partido de Netanyahu, deve empatar com o Azul e Branco no número de assentos (cerca de 32 cada) conquistados na Knesset (Parlamento) - e talvez nenhum seja capaz de garantir uma maioria clara.

É aí que Lieberman pode entrar em cena - visto antes como "braço-direito" de Netanyahu, hoje o ex-ministro é seu rival político.

Embora seja ultranacionalista de direita, Lieberman é acima de tudo defensor de um Estado laico, sendo conhecido pela proposta de estender o serviço militar obrigatório também para os judeus ultraortodoxos e por sua crítica à influência que os grupos religiosos têm na política israelense - grupos estes que são parte essencial da base de apoio de Netanyahu.

"Se o bloco de direita não superar os 61 assentos (dos 120 da Knesset), Lieberman será um ator-chave" na formação do próximo governo, afirmou à agência EFE o professor Shmuel Sandler, da Universidade Bar Ilan.

Pesquisas apontam que o discurso de Lieberman tem ganhado popularidade e seu partido, o nacionalista Yisrael Beitenu, pode alcançar até 10 assentos no Parlamento no pleito desta terça.

Proximidade com Bolsonaro e Trump

Bolsonaro e Netanyahu em Israel; brasileiro chegou a anunciar mudança de embaixada a Jerusalém, mas recuou - Alan Santos/PR
Bolsonaro e Netanyahu em Israel; brasileiro chegou a anunciar mudança de embaixada a Jerusalém, mas recuou
Imagem: Alan Santos/PR

Netanyahu é próximo ao presidente brasileiro Jair Bolsonaro - esteve em sua posse, em janeiro, e recebeu-o durante visita a Israel no final de março.

Bolsonaro, por sua vez, chegou a chamá-lo de irmão e prometeu mudar a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, medida polêmica sob os olhos da comunidade internacional, uma vez que Jerusalém é parcialmente reivindicada pela população árabe-palestina.

O brasileiro depois recuou da proposta e anunciou a abertura de um escritório comercial em Jerusalém.

Em sua campanha eleitoral, Netanyahu lançou a polêmica proposta de anexar ao território de Israel o vale do Jordão, numa aparente tentativa de buscar o voto dos setores mais conservadores.

O vale do Jordão representa um terço da Cisjordânia, onde Israel tem mantido assentamentos judaicos que são questionados pelos palestinos e por parte da comunidade internacional.

Netanyahu diz que, depois, coordenará com o presidente americano Donald Trump - outro aliado seu - a concretização de um plano de paz com os palestinos cujos detalhes ainda não foram anunciados.

O editor da BBC no Oriente Médio, Jeremy Bowen, explica que não está claro se Netanyahu conseguirá cumprir sua promessa de anexação, mas o debate evidencia o peso que a segurança tem na política israelense.

"O país tem um rastro de insegurança, compreensível dada a história dos judeus e do Estado de Israel. Netanyahu usa esses medos, e sua campanha se concentrou nos inimigos israelenses no Irã, na Síria e no Líbano", aponta Bowen.

"Sua mensagem constante é que o Oriente Médio é um ambiente duro e ele é o único político capaz de manter os israelenses seguros. Pôsteres de campanha mostram ele com Trump, ambos sorrindo, sugerindo uma parceria única que apenas Netanyahu seria capaz de manter."

Possíveis cenários eleitorais em Israel

Se Netanyahu conseguir formar uma aliança com partidos de direita e religiosos, pode conseguir se manter no poder. No entanto, na ausência de um vencedor claro - cenário mais provável, segundo as pesquisas de opinião -, cabe ao presidente do país, Reuven Rivlin, iniciar consultas com os partidos para averiguar quem terá mais chance de receber apoio como premiê.

Nesse cenário, Netanyahu talvez precise buscar apoio para além de seus aliados naturais - o que, segundo a agência Reuters, pode incluir acenos ao Azul e Branco, de Benny Gantz.

Gantz afirmou que não pretende participar de uma coalizão com Netanyahu, mas a política israelense é notadamente fluida.

A despeito disso, é possível que seu próprio partido, o Likud, forme uma aliança com o Azul e Branco, mas com outro líder, que não Netanyahu, no poder.

Ainda existe, pelo menos na teoria, a chance de a centro-esquerda formar alianças e ganhar maioria, mas esse cenário é considerado muito remoto, uma vez que os eleitores israelenses têm pendido cada vez mais para a direita.

Na atual conjuntura, quem pode ter papel decisivo é Lieberman, que disse que seu partido só entraria em um governo de unidade composto por seu próprio partido, pelo Likud e pelo Azul e Branco, mas excluindo os partidos religiosos. Não está claro qual papel Netanyahu teria nesse cenário.

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