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Empresa espanhola é suspeita de espionar Assange para a CIA, diz jornal

1º.mai.2019 - Fundador do WikiLeaks, Julian Assange  - Daniel Leal-Olivas/AFP
1º.mai.2019 - Fundador do WikiLeaks, Julian Assange Imagem: Daniel Leal-Olivas/AFP

Em Madri

27/09/2019 08h50

Uma empresa de segurança espanhola que está sendo investigada pela justiça teria espionado Julian Assange em nome dos Estados Unidos quando ele morou na embaixada do Equador em Londres, informou o jornal El País nesta sexta-feira.

Os funcionários da Undercover Global S.L., encarregada de garantir a segurança da embaixada equatoriana quando o fundador do Wikileaks residia lá como refugiado, enviavam relatórios sobre suas atividades à CIA, diz o jornal.

Um juiz da Audiência Nacional espanhola está investigando o caso, informou um dos advogados de Julian Assange. A AFP entrou em contato com o tribunal, que se recusou a comentar.

"Há um processo criminal aberto na Audiência Nacional, mas a investigação está sendo mantida em segredo [...] e não podemos fazer declarações sobre o que está sendo investigado além do que vazou" para a imprensa, declarou Aitor Martínez, que representa o fundador do Wikileaks.

O material "foi vazado por funcionários da empresa, imagino", disse o advogado.

Segundo o El País, a Undercover Global instalou microfones nos extintores da legação diplomática e nos banheiros femininos, onde os advogados de Assange se reuniam com medo de serem espionados.

A empresa também teria instalado um sistema para que os Estados Unidos pudessem acompanhar todas as gravações ao vivo.

Segundo o El País, os Estados Unidos foram informados dessa maneira, em dezembro de 2017, de uma reunião realizada por Assange com o chefe dos serviços secretos equatorianos para organizar sua transferência para outro país usando um passaporte diplomático.

Por sua vez, os advogados de Julian Assange apresentaram no final de abril uma queixa contra um grupo de espanhóis, acusando-os de terem chantageado o ativista com vídeos e documentos obtidos durante a sua estadia na embaixada.

Em 2012, o australiano de 47 anos, contra quem a Suécia abriu um processo por estupro - um caso que foi posteriormente arquivado - refugiou-se na embaixada do Equador em Londres para evitar ser extraditado para a Suécia e os Estados Unidos pela publicação de documentos secretos americanos em seu site.

Depois de passar sete anos na embaixada do Equador, Assange foi expulso de lá pela polícia britânica em 11 de abril, com a autorização do governo equatoriano.

No início de maio, ele foi condenado por um tribunal de Londres a 50 semanas de prisão por violar sua liberdade condicional.