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China aponta violência no Chile e Catalunha para criticar 'hipocrisia' do Ocidente

20.out.2019 - Alta em tarifa de metrô detonou maior onda de protestos em décadas no Chile - AFP
20.out.2019 - Alta em tarifa de metrô detonou maior onda de protestos em décadas no Chile Imagem: AFP

Em Pequim

23/10/2019 10h56

A China está aproveitando os violentos protestos na Catalunha e no Chile para denunciar a "hipocrisia" do Ocidente e justificar suas condenações aos distúrbios nas manifestações pró-democracia em Hong Kong.

Os protestos em Barcelona (nordeste da Espanha) e em Santiago do Chile alimentam as acusações da China, segundo as quais os governos ocidentais apoiaram, de forma hipócrita, as mobilizações em Hong Kong, enquanto condenam as violências cometidas em seus próprios territórios.

"É óbvio que a imprensa e os políticos ocidentais mostram dois pesos e duas medidas diante das mesmas violências, quando são cometidas (...) em países diferentes", denunciou o jornal oficial "China Daily" em editorial publicado hoje.

O jornal critica a "hipocrisia" da imprensa europeia e americana, que classifica como "manifestantes" os que protestam em Hong Kong, e de "arruaceiros", os que fazem o mesmo em Barcelona, ou no Chile.

Desde junho, Hong Kong vive manifestações quase diárias de um movimento de protesto que denuncia o retrocesso das liberdades e a ingerência crescente de Pequim nos assuntos de sua região semiautônoma.

"Estamos vendo que a violência sofrida em Hong Kong está se reproduzindo em outras partes", disse na segunda-feira (21) à AFP o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Wi, referindo-se aos distúrbios na Catalunha e no Chile.

"Na Catalunha, (os manifestantes) declararam publicamente que querem criar uma segunda Hong Kong e que se inspiram no que acontece" na ex-colônia britânica, apontou o chanceler.

"A gente deve refletir sobre o que faz", acrescentou o ministro, em alusão ao apoio que alguns países, em especial os Estados Unidos, deram aos manifestantes de Hong Kong.

A China classificou como "terroristas" as ações cometidas por uma minoria radical em Hong Kong e acusou alguns governos ocidentais de fomentarem os distúrbios neste território semiautônomo.

'Hipocrisia ocidental'

"Nos últimos meses, vimos como a imprensa estatal chinesa criticou firmemente os manifestantes (em Hong Kong), descrevendo-os como os caras maus da situação", afirmou o especialista em China Adam Ni, da Universidade Macquarie.

Pequim está usando a situação na Catalunha para ilustrar como "apenas com um forte governo central e com sólidas forças policiais se pode sair do caos", acrescentou Ni.

"Basicamente, o que (Pequim) diz é: 'olhem, o que fazemos não é tão diferente do que se faz nas democracias liberais'", acrescentou. "Mas, de saída, o contexto é muito diferente", ressaltou o especialista.

As manifestações na Catalunha, deflagradas depois da condenação por parte do Tribunal Supremo espanhol de vários líderes separatistas catalães após uma frustrada tentativa de secessão em 2017, foram inspiradas nas realizadas em Hong Kong.

As táticas popularizadas em Hong Kong - como os capacetes protetores, ou o uso de bilhetes de embarque para superar os controles de segurança nos aeroportos - foram emulados em Barcelona. Lá, a polícia também repeliu a multidão com gás lacrimogêneo, ou disparos de balas de borracha.

Desde a semana passada, o Chile se encontra mergulhado em uma grave crise social, iniciada pelo aumento no bilhete de metrô, com manifestações e confrontos que já deixaram pelo menos 18 mortos.

Tática habitual

"Denunciar a 'hipocrisia' ocidental é uma tática habitual da imprensa chinesa, em especial em matéria de segurança e de direitos humanos", disse à AFP Maria Repnikova, pesquisadora da Universidade de Oxford especializada em China.

Ao recorrer a esta estratégia, Pequim "também legitima, de forma indireta, uma atitude mais dura em relação a Hong Kong", completou a especialista.

Na segunda-feira, o governo chinês já havia sido contundente sobre o tema. "A democracia e os direitos humanos são uma desculpa hipócrita do Ocidente para se intrometer nos assuntos de Hong Kong", acusou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying.

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