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Coreia do Sul salva acordo para compartilhar informação militar com o Japão

22/11/2019 19h22

Seul, 22 Nov 2019 (AFP) - A Coreia do Sul suspendeu nesta sexta-feira, sua decisão de romper um acordo para compartilhar informação militar com Japão, um gesto que deverá aliviar os Estados Unidos, preocupado pelas divergências entre esses dois aliados chave para a segurança no leste da Ásia.

"O governo japonês afirmou compreender", declarou Kim You-geun, um responsável de segurança nacional do governo sul-coreano, indicando que o acordo, conhecido como GSOMIA, não seria rompido até a meia-noite.

O GSOMIA, assinado em 2016, permitia aos dois aliados dos Estados Unidos compartilhar segredos militares, sobretudo em relação às capacidades nucleares e de mísseis da Coreia do Norte.

"No tratamento da questão norte-coreana, a cooperação entre Japão e Coreia do Sul e entre Japão, Estados Unidos e Coreia do Sul é extremamente importante. Já disse muitas vezes. Acho que a Coreia do Sul tomou essa decisão de um ponto de vista estratégico", declarou o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.

Em um contexto de tensões diplomáticas e comerciais com Japão, Coreia do Sul anunciou no final de agosto que pensava em romper com a GSOMIA, o que gerou protestos em Tóquio e Washington.

Naquele momento, o Pentágono se declarou "muito preocupado e decepcionado" e pediu a ambas as partes para "manter o diálogo".

Nesta sexta-feira, depois do anúncio, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou em Washington que a decisão "envia uma mensagem positiva de que aliados que pensam parecido podem superar divergências bilaterais".

"Animamos a Coreia do Sul e Japão a continuarem com suas discussões sinceras para encontrar uma solução duradoura", acrescentou.

Renunciar a esse pacto teria sido "um terrível revés para um dos pilares da segurança do Leste da Ásia, estabelecido por Japão, Coreia do Sul e dos Estados Unidos", declarou Kenichiro Sasae, ex-responsável do ministério japonês das Relações Exteriores e embaixador nos Estados Unidos.

As relações entre Tóquio e Seul foi piorando durante décadas por várias disputas herdadas da época em que a península coreana era uma colônia japonesa (1910-1945).

A tensão foi ainda mais acentuada neste ano depois que os tribunais sul-coreanos exigiram que empresas japonesas indenizassem sul-coreanos forçados a trabalhar em suas fábricas durante a ocupação japonesa, até o final da Segunda Guerra Mundial.

Para o Japão, um tratado fechado 1965 para normalizar as relações entre ambos os países deveria cessar qualquer demanda por reparação ou compensação pelas atrocidades cometidas pelo exército imperial.

Em meados do ano, o governo japonês decidiu eliminar a Coreia do Sul de uma lista dos Estados considerados como parceiros comerciais privilegiados, o que Seul interpretou como uma punição, motivo pelo qual fez o mesmo com Tóquio.

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