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Visita de Guaidó põe governo espanhol em saia justa

24/01/2020 15h43

Madri, 24 Jan 2020 (AFP) - A um dia da chegada do opositor venezuelano Juan Guaidó à Espanha, o governo espanhol vive uma saia justa por causa da decisão do presidente Pedro Sánchez de não recebê-lo pessoalmente, mesmo que o país ibérico seja um dos cerca de 50 países que reconheçam a presidência desse venezuelano.

A tensão começou quando um dos ministros espanhóis afirmou ter visto no aeroporto de Madri nesta semana a número dois do governo de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, que está proibida de viajar para a União Europeia.

A oposição conservadora espanhola, próxima aos movimentos antichavistas da Venezuela, atacou o governo espanhol, pedindo o comparecimento de dois ministros e exigindo que Sánchez se reunisse com Guaidó.

À frente da presidência espanhola desde 2018, Sánchez, socialista, foi um dos primeiros líderes de governo europeus a reconhecer Guaidó como presidente venezuelano, ainda no início de fevereiro de 2019, após acabar o prazo que tinha dado a Maduro para convocar novas eleições.

O governo espanhol delegou a tarefa de receber o líder opositor à ministra de Relações Exteriores, Arancha González, uma decisão que foi mal recebida pela equipe de Guaidó e que deixou a confirmação da visita no ar.

Na última quinta-feira (23), Guaidó confirmou sua presença em Madri, que ocorrerá no próximo sábado (25), onde se encontrará com o líder do conservador Partido Popular, Pablo Casado. O opositor venezuelano também se reunirá com residentes venezuelanos na praça Puerta del Sol.

Na agenda oficial do governo espanhol não aparece nenhum encontro com Guaidó. A equipe de Sánchez afirmou que o presidente estará fora de Madri, no sábado, visitando áreas afetadas pela tempestade Glória.

- Espanha busca 'possível mediação' -Em declarações à emissora espanhola TVE durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, Guaidó reagiu ao que considerou uma grosseria: "Entraremos em consenso com a (nossa) agenda, ou não o receberemos em Caracas", disse.

Em sua viagem por Londres, Bruxelas e Davos, o venezuelano se reuniu com o primeiro ministro britânico Boris Johnson e o chanceler austríaco Sebastian Kurz.

Guaidó se reuniu nesta sexta-feira a portas fechadas com o presidente francês, Emmanuel Macron, em Paris.

"O que a Espanha está tentando não é fechar o caminho para uma possível mediação" entre as duas partes na Venezuela, disse a pesquisadora para a América Latina do centro de estudos CIDOB, Ana Ayuso, observando que essa "posição intermediária pode levar a paradoxos".

Segundo ela, quando Guaidó foi reconhecido, estimava-se que "os fins estavam amarrados e o regime cairia". "Foi visto que isso não funcionou e agora temos que redesenhar a estratégia", acrescentou.

"Sánchez deve receber Guaidó durante o seu roteiro internacional. A Espanha tem que ajudar os venezuelanos a colocar um fim à ditadura de Maduro", tuitou o conservador Pablo Casado.

Em sua mensagem, o dirigente conservador mencionava a entrada do partido de esquerda Podemos no governo venezuelano, que no passado mostrou simpatizar com o chavismo.

Seu líder e segundo vice-presidente do Executivo Pablo Iglesias se referiram a Guaidó como "um líder muito importante da oposição", enquanto o Ministro das Relações Exteriores reafirmou nesta sexta-feira o reconhecimento expresso em 2019.

- Encontro com Delcy Rodríguez -A essa polêmica se somou a suposta reunião secreta do ministro dos Transportes, José Luis Ábalos, com a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez.

O site Vozpopuli afirmou que ambos teriam se reunido na madrugada da última segunda-feira durante uma hora e meia no aeroporto, durante uma escala do avião que levava Rodríguez à Turquia.

"Se isso tiver acontecido seria um grande escândalo, porque significaria um ataque à legislação da União Europeia", afirmou o porta-voz do PP, o parlamentar José Ignacio Echániz.

O ministério dos Transportes não respondeu os questionamentos da AFP. Ao jornal "El País", Ábalos contou que foi receber o ministro venezuelano do Turismo, Félix Plasencia, que viajava no mesmo avião que Rodríguez.

Rodríguez faz parte de um grupo de 25 políticos venezuelanos que receberam uma proibição para viajar ao território comum da União Europeia além do congelamento dos seus ativos, imposição feita em 2018.

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