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Ministério Público afirma que garimpeiros ilegais viajaram em avião militar

21/08/2020 20h15

São Paulo, 21 Ago 2020 (AFP) - O Ministério Público Federal afirmou nesta sexta-feira (21) que garimpeiros ilegais do estado do Pará foram levados a Brasília em um avião militar inicialmente destinado ao combate a crimes ambientais.

"Para o MPF, ao transportar criminosos, pode ter se configurado o desvio de finalidade, já que a presença da FAB na região tinha o objetivo de apoiar a operação contra os crimes ambientais", disse o MPF em nota.

Segundo o documento, na primeira semana de agosto a FAB enviou aviões à cidade de Jacareacanga, no Pará, para apoiar uma operação de combate a crimes ambientais nas terras indígenas Munduruku e Sai Cinza.

"A operação acabou não ocorrendo e uma das aeronaves da FAB serviu para transportar mineradores ilegais até Brasília", acrescenta a nota.

De acordo com o Ministério Público do Pará, a FAB garantiu que uma de suas aeronaves transferiu lideranças indígenas para uma reunião com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Os indígenas Munduruku negaram essa versão, em carta dirigida ao MPF.

"A caravana levada para Brasília foi formada por sete moradores que são defensores dos interesses de garimpeiros e atuam igualmente com a exploração ilegal de minérios no interior da Terra Indígena Munduruku", diz a carta enviada por lideranças indígenas, citada pelo Ministério Público.

Salles visitou a região onde aconteceria a operação um dia antes de a delegação ser transferida para Brasília.

A legislação brasileira proíbe a exploração de minério em terras indígenas, mas o governo de Jair Bolsonaro defende a abertura dessas áreas para atividades extrativistas e agrícolas.

O presidente apresentou em fevereiro um projeto de lei para regularizar essa atividade e a geração de energia elétrica em terras indígenas.

O texto não dá aos indígenas o direito de vetar a mineração e a exploração energética de suas terras.

A gestão do Bolsonaro tem recebido críticas dentro e fora do Brasil de ambientalistas e até vozes dos setores empresarial e financeiro.

O Ministério do Meio Ambiente demitiu nesta sexta-feira o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), coronel Giorge Cerqueira, que ocupava o cargo desde abril.

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