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OIT: América Latina perdeu cerca de 34 milhões de empregos com a pandemia

O maior impacto sobre o emprego foi sentido "principalmente" no segundo trimestre - Leticia Moreira/Folhapress
O maior impacto sobre o emprego foi sentido "principalmente" no segundo trimestre Imagem: Leticia Moreira/Folhapress

30/09/2020 14h19

Cerca de 34 milhões de empregos foram perdidos pelo coronavírus na América Latina e no Caribe, e a reativação econômica pós-pandêmica aumentará as desigualdades na região, alertou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta quarta-feira (30).

As medidas de bloqueio para conter o coronavírus significaram que "cerca de 34 milhões de trabalhadores perderam seus empregos no primeiro semestre do ano" na região, indicou a OIT.

"Nos três primeiros trimestres deste ano, a redução estimada das horas trabalhadas foi da ordem de 20,9%, enquanto os rendimentos do trabalho diminuíram 19,3% na região, quase o dobro do mundo (11,7% e 10,7%, respectivamente), acrescentou.

Por isso, a América Latina e o Caribe são "a região mais afetada mundialmente em horas trabalhadas e rendimentos", afirmou a organização em seu segundo relatório sobre o impacto da pandemia no mercado de trabalho regional.

"É ainda mais problemático se considerarmos que os empregados informais, as mulheres, os jovens e os de menor escolaridade são aqueles que, em geral, experimentaram com maior intensidade a perda do emprego", acrescentou a OIT, que tem sua sede regional em Lima.

"Enfrentamos um desafio sem precedentes, o de reconstruir os mercados de trabalho da região, o que implica enfrentar falhas estruturais que se agravaram com a pandemia", apontou o diretor regional da OIT, Vinícius Pinheiro.

Mulheres e jovens

O maior impacto sobre o emprego foi sentido "principalmente" no segundo trimestre e iniciou-se então uma gradual recuperação, segundo o relatório, elaborado com dados de nove países que representam 80% do mercado de trabalho regional: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Peru, Paraguai e Uruguai.

"Observa-se que as mulheres, mais do que os homens, e os jovens (até 24 anos), mais do que os adultos, têm sofrido, em termos relativos, a perda de emprego com maior intensidade", afirnou a OIT.

"Essas tendências exacerbam significativamente as lacunas de emprego existentes antes da pandemia", acrescentou.

Segundo o relatório, "em 2019 as mulheres estavam sobrerrepresentadas em alguns dos setores de atividade gravemente afetados por esta crise, como, por exemplo, os serviços de hotelaria e restaurantes". Por isso, o impacto entre as mulheres tem sido maior.

Além disso, a OIT alertou sobre as "crescentes dificuldades de conciliar o trabalho remunerado com as responsabilidades familiares, em um contexto em que os serviços educacionais e de assistência foram profundamente alterados".

A OIT também destacou que, como as mulheres são maioria nos "serviços sociais e de saúde, estão desproporcionalmente expostas a riscos de contágio e/ou jornada de trabalho prolongada" devido à pandemia.

Outro segmento muito afetado são os jovens, cujo trabalho teve grande incidência em hotelaria, comércio e construção, "atividades fortemente afetadas pela pandemia".

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