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Trump é principal fator de desinformação sobre covid-19, diz estudo

O presidente dos EUA, Donald Trump, reage durante o primeiro debate presidencial com Joe Biden, na Case Western Reserve University, em Cleveland (Ohio) - SAUL LOEB / AFP
O presidente dos EUA, Donald Trump, reage durante o primeiro debate presidencial com Joe Biden, na Case Western Reserve University, em Cleveland (Ohio) Imagem: SAUL LOEB / AFP

01/10/2020 16h40

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é provavelmente o maior fator de desinformação sobre a covid-19, de acordo com um estudo da Universidade Cornell, financiado em parte pela Fundação Bill e Melinda Gates.

Uma equipe da Aliança pela Ciência da Cornell analisou cerca de 38 milhões de artigos publicados em inglês, entre 1º de janeiro e 26 de maio de 2020, nos Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Irlanda, Austrália e Nova Zelândia, além de alguns outros países da África e da Ásia.

Foram identificados mais de 522.400 artigos com informações falsas sobre o coronavírus, um fenômeno denominado "infodemia" pela Organização Mundial da Saúde. Foi calculado também o impacto dessas publicações nas redes sociais, com mais de 36 milhões de interações, três quartos no Facebook.

No total, foram identificadas onze categorias de informações falsas, de curas milagrosas até teorias da conspiração - de que o vírus foi criado para formar uma nova ordem mundial; que é uma arma biológica disseminada por um laboratório chinês; que é uma doença ligada ao magnata Bill Gates; que o vírus foi criado para controlar a população mundial, entre outras.

As falsas curas foram de longe a categoria mais popular, com 295.351 artigos. Os comentários de Trump foram responsáveis por um aumento significativo desse tipo de mentira, em especial sua sugestão de injetar desinfetante para combater a covid-19, feita em uma coletiva de imprensa em abril.

Picos semelhantes ocorreram ainda quando ele promoveu o uso da hidroxicloroquina, tratamento cuja eficácia não foi comprovada. "Portanto, concluímos que o presidente dos EUA foi sem dúvida o mais importante fator de desinformação" sobre o o novo coronavírus, afirmaram os pesquisadores.

"Se as pessoas foram enganadas por alegações não científicas e sem fundamentos sobre a doença, é menos provável que sigam as recomendações oficiais e assim espalhem o vírus ainda mais", apontou Sarah Evanega, que liderou o estudo.

"Um dos aspectos mais interessantes da coleta de dados foi descobrir a quantidade impressionante de informações falsas diretamente relacionadas às declarações de um pequeno número de indivíduos", disse Jordan Adams, co-autor da pesquisa e analista de dados da Cision Insight.

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