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Em 1ª conversa com Xi Jinping, Biden questiona práticas econômicas 'injustas' de Pequim

Joe Biden, presidente dos Estados Unidos - Stefani Reynolds-Pool/Getty Images
Joe Biden, presidente dos Estados Unidos Imagem: Stefani Reynolds-Pool/Getty Images

Em Washington

10/02/2021 23h43Atualizada em 11/02/2021 06h43

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, falou pela primeira vez por telefone na quarta-feira (10) com o chinês, Xi Jinping, e expressou suas "profundas preocupações" sobre as práticas econômicas "injustas e coercitivas" de Pequim, sobre a repressão em Hong Kong e sobre "violações dos direitos humanos em Xinjiang", região onde vive a minoria muçulmana uigur.

Na ligação, que aconteceu três semanas após a posse de Biden, o americano mostrou sua disposição em ser mais taxativo que o seu predecessor Donald Trump em temas relacionados aos direitos humanos, mas de manter certa continuidade em questões econômicas.

Também defendeu uma visão mais pragmática sobre assuntos como o clima, deixado de lado pela administração anterior.

De acordo com o relatório sobre a ligação divulgado pelo governo dos Estados Unidos, Biden expressou sua "profunda preocupação" com a repressão em Hong Kong, a posição mais imponente de Pequim na região — especialmente com respeito a Taiwan — e as "violações dos direitos humanos" em Xinjiang, região onde vivem os uigures.

Os dois líderes também conversaram, de acordo com o comunicado da Casa Branca, sobre a pandemia da covid-19 e os "desafios comuns" colocados pela segurança global de saúde e mudanças climáticas.

De acordo com especialistas, mais de um milhão de uigures estão sendo mantidos em campos de reeducação política em Xinjiang.

Pequim rejeita o termo "campos" e garante que são centros de treinamento vocacional, projetados para fornecer emprego para a população e manter o extremismo religioso sob controle.

Há muita expectativa sobre a posição do novo presidente americano em relação à China, devido aos múltiplos pontos de tensão que existem na relação entre as duas principais potências mundiais.

E embora Biden tenha mostrado claramente sua disposição de se distanciar da política externa de Donald Trump, a China é uma das poucas questões onde ele poderia promover alguma continuidade em relação a seu antecessor.

Uma autoridade do governo americano, que falou anonimamente, ressaltou que a nova equipe concorda com a anterior em continuar a enfrentar Pequim no âmbito da "competição estratégica" entre as duas potências.

Acrescentou, porém, que "problemas reais" foram identificados na forma como o governo Trump o abordou.

Este funcionário reafirmou na quarta-feira que, por exemplo, as tarifas impostas pelo governo Trump sobre os produtos chineses serão mantidas por enquanto, enquanto se aguarda uma revisão global da estratégia comercial dos Estados Unidos.

"Não tomamos uma decisão sobre esse assunto", disse. "Haverá mudanças em nossa política comercial em relação à China, mas não serão imediatas e, enquanto isso, não iremos eliminar tarifas", acrescentou, destacando a vontade da Casa Branca em desenvolver essa estratégia "em linha com seus aliados".

Em entrevista transmitida neste domingo pela CBS, Biden alertou que a rivalidade entre China e Estados Unidos se transformará em "competição extrema", ao mesmo tempo em que disse que quer evitar um "conflito" entre os dois países.

Questionado sobre o presidente chinês, Biden disse: "Ele não tem, e não quero dizer isso como uma crítica, mas é uma realidade, um único osso democrático em seu corpo."

"Não vou fazer do jeito que (Donald) Trump fez. Vamos nos concentrar nas regras internacionais", acrescentou, destacando conhecer bem Xi por ter tido longas conversas privadas com ele quando foi vice-presidente de Barack Obama entre 2009 e 2017.

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