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Com recorde de mortos em 24h, Índia compara 2ª onda da covid a furacão

Arquivo - Trabalhadora da saúde coleta amostra para teste de coronavírus em Mumbai, na Índia; país enfrenta grave crise de saúde - Punit Paranjpe/AFP
Arquivo - Trabalhadora da saúde coleta amostra para teste de coronavírus em Mumbai, na Índia; país enfrenta grave crise de saúde Imagem: Punit Paranjpe/AFP

Em Nova Déli

21/04/2021 08h25

A Índia, segundo país mais afetado pela covid-19 depois dos Estados Unidos em número de contágios, enfrenta uma grave crise de saúde, com mais de 2 mil mortos e quase 300 mil novos casos nas últimas 24 horas, com falta de tratamentos e de oxigênio.

O segundo país de maior população do planeta, com 1,3 bilhão de de habitantes, registra 15,6 milhões de casos e 182.553 mortes desde o início da pandemia.

E nas últimas 24 horas foram 295 mil novos casos, números comparáveis aos registrados nos Estados Unidos em janeiro, e 2.023 mortes, anunciou o ministério da Saúde.

O cenário obrigou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, a discursar pela primeira vez na televisão desde a aceleração dos casos.

O chefe de Governo admitiu que a Índia trava "mais uma vez uma grande batalha".

"A situação estava sob controle há algumas semanas e a segunda onda chegou como um furacão", disse Modi.

O agravamento, com quase 3,5 milhões de novos contágios desde o início de abril, é atribuído em particular a uma "dupla mutação" do vírus.

Aglomerações

Apesar de suas cidades com grandes populações e de um sistema de saúde em ruínas, a Índia havia sofrido relativamente pouco em uma pandemia que já matou mais de três milhões de pessoas no mundo.

Mas vários eventos com multidões facilitaram nas últimas semanas a circulação do coronavírus.

Milhões de pessoas participaram no festival religioso hindu Kumbh Mela, em atos políticos, casamentos luxuosos e eventos esportivos.

A imprensa informa que a produção de medicamentos essenciais para o combate ao coronavírus desacelerou e, inclusive, foi suspenso em algumas fábricas. Também foram adiadas as licitações para as fábricas de produção de oxigênio.

No momento, famílias desesperadas de pacientes são obrigadas a pagar preços exorbitantes no mercado paralelo por medicamentos e oxigênio. Os grupos de WhatsApp são dominados por pedidos de ajuda.

O primeiro-ministro de Déli, Arvind Kejriwal, que está confinado desde terça-feira porque sua esposa testou positivo, tuitou que alguns hospitais da megalópole tinham "apenas poucas horas de oxigênio de reserva".

O ministro da Saúde da cidade de 25 milhões de habitantes, Satyendar Jain, fez um apelo para que o governo federal a "restabeleça a cadeira de fornecimento de oxigênio para evitar una crise maior".

Os hospitais do estado de Maharashtra, oeste do país, e e de sua superpopulosa capital, Mumbai, epicentro do surto coronavírus, também sofrem com a falta de material.

"Muitos pacientes são enviados de volta para casa porque não temos oxigênio suficiente nem Remdesivir para tratá-los", explica Harish Krishnamashar, médico no Ramaiah Medical College Hospital, em Bangalore (sul).

A Índia aplicou mais de 130 milhões de doses de vacinas até o momento e a partir de 1º de maio todos os adultos poderão ser vacinados.

Os estados do país adotaram medidas diferentes de restrições: desde segunda-feira à noite Déli está em confinamento por uma semana, todas as lojas não essenciais estão fechadas em Maharashtra e o estado de Uttar Pradesh, que tem 200 milhões de habitantes, impõe o confinamento durante o fim de semana.

O confinamento de Déli levou dezenas de milhares de trabalhadores migrantes a fugir da megalópole, recordando a crise humanitária e econômica do ano passado.

O governo dos Estados Unidos desaconselha viagens à Índia, inclusive de pessoas vacinadas. O Reino Unido incluiu o país na "lista vermelha".

Hong Kong e Nova Zelândia suspenderam os voos procedentes da Índia.

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