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1 mês

Em 'represália' diplomática, restaurante kosovar pede vistos para cidadãos da UE

29/06/2022 20h02

Pristina, 29 Jun 2022 (AFP) - Shpejtim Pefqeli exige aos cidadãos da União Europeia que entram em seu restaurante em Pristina, a capital de Kosovo, que lhe mostrem um "visto", por despeito da exigência de visto que a UE impõe aos kosovares.

"Proibida a entrada de cidadãos europeus sem visto", afirma uma placa na entrada do restaurante Mama's.

O 1,8 milhão de kosovares são os únicos cidadãos dos países balcânicos que ainda precisam obter um documento para entrar no espaço Schengen, formado por 26 países europeus, dos quais 22 pertencem a UE.

Em 2018, a Comissão Europeia deu parecer favorável à isenção dos vistos de livre circulação na UE para kosovares.

O Parlamento Europeu votou a favor, mas a palavra final é do Conselho da UE, que representa os governos dos Estados membro.

Durante a última cúpula entre UE e Bálcãs Ocidentais, o Kosovo esperava uma mudança nessa situação.

Mas a medida não foi adotada. Shpejtim Pefqeli decidiu, então, proibir a entrada de europeus sem visto em seu estabelecimento.

"É um sinal de revolta e desespero", afirmou.

Eulex, a missão europeia responsável pelo Estado de Direito em Kosovo, tem as sua sede em frente ao restaurante e muitos dos europeus que trabalham ali costumavam frequentar o estabelecimento.

"Não dependo deles", acrescentou Pefqeli.

- Poucas portas -Kosovo declarou sua independência em 2008 e desde então foi reconhecido por mais de 100 países. No entanto, ainda há dezenas de estados que não o reconhecem como país, entre eles, cinco da União Europeia, como a Espanha.

O passaporte kosovar segue abrindo poucas portas se não for acompanhado de um visto. Os kosovares são obrigados a esperar semanas, ou até meses, enquanto preenchem montanhas de papeladas para conseguir os documentos necessários para viajar ao exterior.

"Nos irritamos. Vimos que, de certa maneira, nos humilharam", disse Pefqeli à AFP. Depois da cúpula, se sentiu obrigado a "protestar".

"Tinham duas mulheres búlgaras no restaurante. Riram quando eu disse para não se apressarem e terminarem de comer e beber antes de sair", lembra Pefqeli.

A medida implementada por este cidadão não é totalmente legal no Kosovo, mas quem passa em frente ao estabelecimento a aprovam. "Parece bom para mim", afirmou Valdrin Januzi, um engenheiro de 26 anos.

"Todo mundo deveria fazer algo criativo, porque dessa maneira ressaltamos o problema e a injustiça", acrescentou.

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