Mais de meio milhão de migrantes cruzaram a selva de Darién em 2023

Mais de meio milhão de migrantes cruzaram neste ano a selva inóspita de Darién, na fronteira entre a Colômbia e o Panamá, rumo aos Estados Unidos, um número recorde, que dobra os registros de todo o ano de 2022, informou nesta quarta-feira (6) à AFP o ministro da Segurança do Panamá, Juan Manuel Pino.

A fronteira natural de Darién tem 266 km de comprimento e 575 mil hectares de superfície, e se tornou um corredor para os migrantes procedentes da América do Sul, que enfrentam na floresta obstáculos naturais e a ação de quadrilhas que roubam, sequestram e estupram.

O recorde de mais de meio milhão supera em 100% a cifra de todo o ano anterior, quando 248 mil pessoas passaram pela selva inóspita, segundo dados oficiais do Panamá.

Além de venezuelanos, a floresta é atravessada principalmente por equatorianos (50 mil até outubro), haitianos (41 mil) e chineses (18 mil), além de vietnamitas, afegãos e cidadãos de países africanos.

Há pessoas de todas as idades, incluindo bebês. A situação levou o governo panamenho, juntamente com organizações internacionais, a instalar centros de atendimento a migrantes em diferentes pontos do país.

- Perigos -

"As milhares de pessoas que arriscam a vida, muitas vezes acompanhadas de suas famílias, precisam de uma resposta de proteção e assistência humanitária imediata e contínua", ressaltou hoje Olivier Dubois, chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha para o México e a América Central, em entrevista coletiva na Cidade do Panamá.

Para tentar conter a onda migratória, autoridades panamenhas anunciaram em setembro uma série de medidas, como o aumento da deportação de pessoas que entrarem de forma irregular no país.

Convocados pelo México, presidentes e chanceleres de países latino-americanos discutiram em outubro mecanismos que contribuam para uma migração ordenada. 

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"O número de migrantes que cruzaram a floresta equivale a mais de 11% da população panamenha. Esta é uma crise sem precedentes, à qual não foi dada atenção suficiente, global ou regional", ressaltou Luis Eguiluz, coordenador geral na Colômbia e no Panamá da Médicos sem Fronteiras (MSF).

Em 2008, primeiro ano do qual se tem registros, 28 pessoas entraram no Panamá pela selva de Darién.

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© Agence France-Presse

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