Guarda municipal é exonerado após violência contra foliões no Rio

A Guarda Municipal do Rio (GM) exonerou o responsável pela equipe que reprimiu violentamente um bloco de carnaval na madrugada de sábado (13), no centro da cidade. A Corregedoria abriu sindicância para investigar se houve uso desproporcional da força na confusão, que deixou foliões feridos e terminou com quatro pessoas detidas.

"O comando da GM-Rio não tolera este tipo de violência por parte de seus agentes, e irá apurar com rigor o caso, o que pode resultar na demissão dos envolvidos", disse em nota à imprensa.

Depois que relatos das vítimas foram publicados nas redes sociais, a Guarda informou que os agentes foram afastados até o esclarecimento da repressão. Em entrevista à rádio CBN, o secretário da pasta, Leandro Matieli, reconheceu os excessos. Antes, a corporação havia explicado que os agentes atuaram para evitar a depredação da Praça Mauá e redondezas, área que acabou de passar por obras de revitalização.

"É óbvio que houve um erro ali. É inadmissível ter havido aquele excesso. Como chefe, eu peço desculpas às pessoas agredidas, me solidarizo com elas", disse. "Faltou sensibilidade e bom senso", reconheceu.

Ontem a tarde (14), um dos agredidos no Tecnobloco, o jornalista Bernardo Tabak, que chegou a ser enforcado por guardas, relatou o que sofreu em sua página na internet. Ele contou ter sacado o celular para filmar o momento em que os agentes avançavam sobre o público, "batendo em gente gratuitamente, indiscriminadamente, [pessoas] que tentavam simplesmente se desvencilhar da confusão". Com o equipamento em punho, acabou atacado e teve o celular quebrado.

"Enquanto eu levava chutes e porrada de cassetetes gritava com eles: que isso!!! Tá maluco?! O que eu fiz?!!" Não adiantava, estavam cegos e surdos", desabafou. O jornalista disse que, apesar de não estar a trabalho, se sentia na obrigação de reportar os fatos. "Desacato por filmar truculência cometida por agentes públicos?! Mas esse é o meu ofício! Mesmo não estando em serviço, não deixo de ser repórter: somos jornalistas 24 horas,  determinou Zuenir Ventura".

Agressão começou durante "Carinhoso"

Vídeos na internet mostram que a confusão começou logo depois de a banda tocar a canção Carinhoso, de Pinxinguinha, de frente para os guardas, posicionados em linha. Não era a primeira vez que um bloco finalizava desfile da madrugada no local, até então, sem qualquer registro de confusão. Na última terça-feira (9), o Bloco Secreto passou por ali, quando uma multidão dançou sob a marquise do Museu da Amanhã e se refrescou no espelho d'água.

Mas, no sábado, pessoas sofreram luxações e tiveram fratura exposta após o confronto. A foliã Bruna Marques disse que os agentes usaram bomba de gás contra a multidão e explicavam a repressão dizendo "que não poderia haver bloco na Praça Mauá, porque o prefeito [Eduardo Paes] não quer". Ela também contou que uma das amigas teve o celular roubado pela GM, que nega.

Outra testemunha, Caroline Marangoni, publicou relatos da confusão em rede social. Contou que foi agredida mesmo pedindo "calma" aos guardas. "Eu literalmente olhei nos olhos deles e pedi amor, eles literalmente me responderam com porrada e gás". A foliã criticou a repressão ao carnaval de rua. "Que tipo de guarda é essa que nós temos? Eu não posso ocupar a rua, cantar e tocar? Não era uma área residencial e nem nada", desabafou.

Os foliões dizem que não houve depredação no desfile e nem pichações. A Guarda informou que tem acompanhado os blocos autorizados ou não, para organizar o trânsito.

Esse não foi o primeiro relato de confusão entre foliões e a Guarda Municipal neste carnaval. Na abertura não-oficial, em 3 de janeiro, houve uma desastrada repressão a  ambulantes sem autorização para atuar nas ruas. A GM dispersou a multidão com cassetes, spray de pimenta e bombas de efeito moral.

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