Manifestantes fazem intervenção na Avenida Paulista em defesa da democracia

Depois de cantar, dançar, tocar e discursar durante toda a tarde de hoje (30) no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP), um grupo de artistas, diretores, profissionais do audiovisual, representantes de coletivos artísticos e manifestantes a favor da democracia decidiram fechar brevemente a Avenida Paulista, em São Paulo, para uma intervenção artística. 

Eles começaram a fechar um trecho da avenida, sentido Consolação, por volta das 20h, segurando uma grande bandeira branca onde se lia Arte pela Democracia. A interrupção do trânsito da Avenida Paulista, no entanto, durou poucos minutos. O ato faz parte de uma série de manifestações em diversas cidades do país, denominada Vigília pela Democracia, que continua amanhã (31) com um ato na Praça da Sé, no centro de São Paulo.

Uma das pessoas que participou do evento de hoje foi a cineasta Anna Muylaert, diretora do filme Que Horas Ela Volta?. "Estamos em um momento muito perigoso, onde a democracia está sendo ameaçada e nosso voto invalidado. É importante que os artistas e toda a sociedade mostrem que isso não é brincadeira, que estamos em uma democracia", afirmou Anna em entrevista a jornalistas.

Interesses

Para a cineasta, há um golpe em curso contra a presidenta da República Dilma Rousseff. "Entendo que há interesses econômicos fortes fazendo discurso difamatório contínuo, muitas vezes falsos, além de grampos inconstitucionais, derrubando a imagem do governo, ao qual muita gente tem crítica, mas isso é normal", disse.

No pequeno palco montado no vão livre do Masp, diversas pessoas se apresentaram, entre elas o músico Chico César. Além das apresentações musicais, o palco também serviu para discursos a favor da democracia. Diversos representantes de coletivos artísticos discursaram e foram acompanhados por gritos de "Não vai ter golpe" e "Democracia não é mercadoria".

Uma das pessoas que subiu ao palco para discursar foi o diretor-presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Manoel Rangel.

"É disso que estamos falando aqui hoje: da democracia, da legalidade, do respeito ao voto de cada homem e de cada mulher, dos ricos e dos pobres. Estamos falando do direito dos brasileiros de pensar como quiserem. Estamos falando do direito dos brasileiros de fazerem a opção política que quiserem. Eles dizem que impeachment não é golpe. Nós respondemos que, visto pela letra fria do texto constitucional, é verdade. Impeachment não é golpe, mas esse impeachment é golpe sim, porque a presidenta da República não cometeu nenhum crime de responsabilidade. É golpe porque não se pode interromper um mandato de alguém eleito pelo voto da maioria dos brasileiros e que não cometeu crime", concluiu Rangel.

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