Dia dos Pais não consegue reverter queda de vendas no comércio do Rio

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

Embora seja considerada uma das mais importantes datas comemorativas do setor, o Dia dos Pais não conseguiu reverter a tendência de retração do comércio lojista do Rio, na avaliação do presidente do Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio), Aldo Gonçalves. A entidade reúne 750 estabelecimentos comerciais do município.

De acordo com a pesquisa Termômetro de Vendas, divulgada hoje (27) pelo Centro de Estudos do CDL Rio, as vendas do comércio carioca caíram 6,8% em agosto na comparação com o mesmo período do ano passado. Esse é o oitavo mês de vendas negativas em 2016 e o pior resultado para agosto desde 2003. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, a queda nas vendas alcançou 6,9%, ante o mesmo período de 2015. Em comparação ao mês anterior (julho), a redução foi 5,4%.

Fatores

Para Aldo Gonçalves, o desempenho negativo do comércio é resultado da crise econômica que o país vivencia. Ele já esperava essa queda, porque "os dois fatores que afetam o comércio ainda persistem". O primeiro é a inflação que, apesar de ter reduzido o ritmo, ainda mostra patamar elevado. "A inflação diminui o poder de compra do trabalhador, principalmente a inflação dos alimentos", observou. Com isso, o orçamento das famílias tem grande parte direcionada à alimentação "e sobra menos para comprar no comércio".

O segundo fator é o desemprego, que continua alto. "Quem não tem trabalho, não tem emprego, não pode comprar, não pode consumir", disse Gonçalves. Segundo analistas econômicos, o desemprego é o último índice a se recuperar em momentos de crise. Há uma expectativa boa no sentido de recuperação da economia, admitiu, mas sinalizou que "de concreto não temos quase nada". Ele se afirma, porém, um otimista. "Nós não podemos ficar pessimistas porque, senão, você não vende". Indicou, contudo, que a expectativa para este ano é de "um ano perdido".

A pesquisa revela que todos os produtos dos chamados ramo mole (bens não duráveis) e ramo duro (bens duráveis) registraram vendas negativas. Os destaques foram tecidos (-11,6%) e confecções (-8,9%), no ramo mole; e óticas (-9,6%), jóias (-9,4%) e eletrodomésticos (-6,3%), no ramo duro. 

SCPC

De acordo com o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) do CDLRio, a inadimplência no comércio lojista da capital fluminense cresceu 2,6% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, enquanto as consultas e as dívidas quitadas diminuíram 6,8% e 2,1%, respectivamente.

No acumulado de janeiro a agosto de 2016 em relação ao mesmo período de 2015, a inadimplência aumentou 1,7% e as consultas e as dívidas quitadas caíram, respectivamente, 7% e 2,2%. Já na comparação de agosto com julho de 2016, as consultas, a inadimplência e as dívidas quitadas evoluíram, respectivamente, 4,4%, 1,6% e 3,5%.

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