Plano de desinvestimento da Eletrobras tem venda de participação em 110 empresas

Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil

A Eletrobras estuda vender a sua participação em 110 sociedades de propósito específico (SPE), que estão em operação, entre as 178 em que a estatal é sócia por meio de quatro operadoras de geração e transmissão. A informação foi dada hoje (30) pelo presidente da empresa, Wilson Ferreira Júnior, em entrevista antes de uma apresentação para investidores na sede da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Rio de Janeiro (Apimec/Rio).

A SPE é uma sociedade empresarial, com as mesmas características do consórcio, que é formada para a execução de um determinado empreendimento, podendo inclusive ter seu prazo de existência determinado.  Normalmente é utilizada para isolar o risco financeiro de uma atividade. O capital social da SPE pode ser constituído pelos sócios com dinheiro, bens móveis e imóveis e, ainda, com direitos, desde que estes tenham valor econômico. Uma vez formado o capital, as contribuições dos sócios passam a compor o patrimônio da sociedade

Segundo o executivo, a venda faz parte do programa de desinvestimentos da Eletrobras e que está em fase final para a contratação de um banco que fará a avaliação dos ativos e a modelagem para a venda das participações. A ideia é reunir em dois blocos: um de geração de energia eólica e outro de transmissão. "Em vez de fazer 100 transações, as transações serão internas e nós vamos ter duas operações de venda. Uma de eólica e outra de transmissão e teremos uma valorização, porque se tratam de ativos mais robustos", disse.

Ferreira Júnior disse que o banco que coordenará o processo deve ser conhecido em duas semanas. A licitação deve começar no terceiro trimestre e a conclusão das vendas no fim do ano."Estamos fazendo isso para reduzir dívida", disse. O programa de desinvestimentos da Eletrobras prevê ainda a privatização de seis distribuidoras. Foram contratadas duas consultorias e o próximo passo é a fase de análise econômico-financeira e a modelagem e os ajustes para que ela possa ser praticada. A avaliação deve ser concluída em julho.

Outra parte do programa é relativo à venda de imóveis pertencentes a Eletrobras e a Furnas, com expectativa de alcançar R$ 200 milhões. A previsão é que os imóveis estarão à venda no segundo trimestre deste ano. "É isso que está no plano, mas tem que pegar a realidade do mercado imobiliário", disse, acrescentando que a venda vai começar por imóveis localizados no Rio de Janeiro, mas deve aumentar depois que avançar com o processo de avaliação e de reestruturação do grupo.

O presidente disse que a empresa está no caminho para se recuperar das dificuldades financeiras e buscou um modelo de gestão e governança com uma visão clara de seus negócios. O processo de avaliação passou a ser mais frequente fazendo as comparações por setores como os de geração e transmissão de energia. "Existem referências de mercado e a gente deveria buscar a todo momento se comparar às melhores. Nós já somos a maior. Como empresa pública e com o porte que tem, [a Eletrobras] tem a obrigação de ser a melhor", disse.

Angra 3

O presidente da estatal informou que atualmente estão concluídos 63% da obra da Usina de Angra 3 e que para completar o que falta ainda deveria levar quase seis anos. Só para recomeçar e instalar os equipamentos na planta da usina seria necessário um prazo de um ano a um ano e meio e mais quatro para terminar a obra. Com isso, Angra 3 ficaria pronta em 2023. A retomada das obras depende ainda de uma avaliação que será feita na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em abril, e de uma nova concorrência para a contratação de construtoras.

As obras da usina foram paralisadas com o envolvimento de empreiteiras na Operação Lava Jato e denúncias de lavagem de dinheiro. Ferreira Júnior disse que é preciso fazer uma nova concorrência para contratação de construtoras. O executivo disse que a empresa contratou consultores para ajudar na avaliação do que foi investido (R$ 10 bilhões) e o que ainda terá que ser aplicado. "É um projeto importante para o país e tem a delicadeza de ser nuclear", disse.


 

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