Puigdemont não convoca eleições e futuro da Catalunha segue incerto

Marieta Cazarré - Correspondente da Agência Brasil

Estudantes catalães protestam contra aplicação do Artigo 155 da Constituição espanhola que autoriza o governo espanhol a retirar a autonomia da CatalunhaMarta Perez/EPA/direitos reservados

O presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, decidiu seguir com a estratégia de não esclarecer suas reais intenções em relação ao desafio independentista da região espanhola. Em declaração feita hoje (26) às 17h (13h no horário de Brasília), no Palácio do governo, em Barcelona, Puigdemont, mais uma vez, fez declarações consideradas confusas.

Havia a expectativa de que ele anunciasse a desistência de declarar a independência da região e optasse por convocar eleições. No entanto, o líder catalão descartou a possibilidade de novas eleições por entender que não há garantias que as justifiquem. "Minha responsabilidade é esgotar todas as vias para encontrar uma solução ao conflito político e de natureza democrática", afirmou. Puigdemont também não afirmou se pretende seguir com os planos de declarar a independência da região.

Ao longo da manhã, centenas de estudantes catalães protestaram contra a aplicação do Artigo 155 da Constituição espanhola, que pode suspender a autonomia da região e marcar novas eleições. Diante de tantas inseguranças, os manifestantes se voltaram contra o líder separatista aos gritos de "traidor", por acreditarem que ele está sendo desleal ao não declarar oficialmente a independência.

No dia 1º de outubro, cerca de dois milhões de pessoas foram às urnas na Catalunha se manifestar, em um referendo, sobre a independência da região. Cerca de 90% dos eleitores votaram pela independência da Catalunha, mas o pleito foi considerado ilegal pelo governo espanhol, que não reconheceu o processo e ameaça agora usar um artigo da Constituição do país para suspender a autonomia da região.

Nesta quinta-feira, Puigdemont enviou ao Senado uma carta de oito páginas em que dizia que a aplicação do Artigo 155 criaria uma situação ainda mais grave do que a atual. Ele argumentou que o artigo não é um cheque em branco e não permite ao Governo central destituir as instituições catalãs.

Uma comissão do Senado espanhol vai avaliar, hoje à tarde, a aplicação do Artigo 155, que será votada amanhã de manhã. Apesar do cenário incerto, a expectativa é de que o Senado dê prosseguimento para colocar em prática o texto constitucional, que pode destituir Puigdemont e suspender a autonomia da Catalunha.

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