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Cunha diz que não tem diferença pessoal com Renan Calheiros

13/08/2015 17h34

Brasília - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta quinta-feira, 13, que não tem qualquer diferença com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Não tenho nenhuma diferença pessoal com ele. Se tivesse, isso não atrapalharia (o trabalho das duas casas). Mas não tem".

"Já disse isso antes: nem eu sou a Câmara nem ele é o Senado. Somos apenas os presidentes. Quem decide são as Casas", completou.

No início da tarde, Renan rebateu críticas de Cunha afirmando que não iria deixar que "diferenças pessoais" afetem a relação institucional entre as duas Casas. "Evidente que pode haver diferença pessoal. O que não pode haver é diferença entre as instituições, conflito entre a Câmara e no Senado. Isso não vai existir", disse Calheiros.

O presidente do Senado tem sido alvo de críticas do colega da Câmara desde que lançou, nessa semana, o pacote anticrise, visto como um gesto de aproximação com o governo.

Segundo Cunha, cabe ao presidente do Senado, que propôs a agenda, procurá-lo para discutir as medidas. O senador alagoano, no entanto, afirmou que vai fazer isso "quando for necessário".

Sem citar a chamada "pauta bomba" que vem sendo colocada em prática na Câmara, Calheiros afirmou que ninguém vai sair ganhando se a crise no País se aprofundar. "Se nós fizermos jogo do 'perde-perde', perderemos todos", disse.

Apesar de ter ensaiado uma aproximação com Cunha no primeiro semestre, quando chegaram a anunciar uma pauta conjunta entre Câmara e Senado, Calheiros se afastou do correligionário desde que o deputado decidiu romper com o governo, após ser citado em uma delação premiada da Operação Lava Jato.

CPI

Cunha também negou ter conhecimento prévio do conteúdo da lista dos 12 investigados pela empresa de espionagem Kroll, contratada pela CPI da Petrobras. Divulgada no início da tarde pelo presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), após pressão do membros da comissão, a lista possui nomes de delatores da Operação Lava Jato. Entre eles está o lobista Júlio Camargo, que afirmou em depoimento ter pago US$ 5 milhões a Cunha.

Os outros 11 nomes são: a viúva do ex-deputado José Janene (PP-PR), Stael Fernanda Janene, Renato Duque (ex-diretor de Serviços da Petrobras), Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobras), Pedro Barusco (ex-gerente da Petrobras), Alberto Youssef (doleiro), João Vaccari Neto (ex-tesoureiro do PT), Augusto Mendonça (ex-dirigente da Toyo Setal), Julio Camargo (lobista), Eduardo Leite (ex-diretor vice-presidente da Camargo Corrêa), Dalton Avancini (ex-presidente da Camargo Corrêa), Julio Faerman (representante da SBM Offshore no Brasil) e Ricardo Pessoa (empreiteiro da UTC).

Questionado se a lista não revelaria a intenção da CPI pressionar politicamente os delatores, Cunha disse que "isso é com a CPI". "Não comento o trabalho da CPI", emendou.

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