Alan Marques/Folhapress

Processo de impeachment

Oposição decide que delação de Delcídio será alvo de outro pedido de impeachment

Em Brasília

  • Marcos Oliveira/Agência Senado

    Delcídio disse que Dilma e o Lula atuaram junto ao Judiciário para tentar barrar as investigações da Lava Jato.

    Delcídio disse que Dilma e o Lula atuaram junto ao Judiciário para tentar barrar as investigações da Lava Jato.

Após reunião na manhã desta terça-feira (22), líderes da oposição na Câmara confirmaram que não pedirão a inclusão da delação do ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (sem partido-MS) ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff em tramitação na Casa.

Segundo os opositores, o objetivo é evitar que o governistas judicializem e "arrastem" a tramitação do processo.

O objetivo da oposição é apresentar um novo pedido de impeachment com base na delação premiada de Delcídio, no qual o senador diz que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuaram junto ao Judiciário para tentar barrar as investigações da Operação Lava Jato.

Segundo o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), esse pedido não será apresentado agora, para não desviar o foco do atual processo.

"Não há necessidade de aditar. O governo quer judicializar para arrastar o processo", afirmou o líder do PSDB, deputado Antônio Imbassahy (BA).

Mais tarde, com quórum cheio, o presidente da comissão especial do impeachment, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), acolheu os pedidos e retirou do processo o conteúdo da delação de Delcídio. Imediatamente, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) anunciou que vai recorrer da decisão à presidência da Câmara.

Em uma longa resposta, Rosso disse que eventuais documentos juntados após despacho de admissibilidade poderiam, em tese, extrapolar a competência da comissão e não deveriam ser objeto de deliberação por seus membros.

"Decido que esta comissão não considere o documento juntado no dia 17 de março como objeto de análise porque aqui não é a instância competente para produção de prova, e sim o Senado Federal", declarou.

O deputado lembrou que o papel da Câmara é votar a abertura do processo de afastamento, cabendo ao Senado a produção de provas e julgar as denúncias contra a mandatária.

Assim, o processo se concentrará apenas aos termos iniciais do pedido de impeachment e focará na análise das chamadas pedaladas fiscais. "Não deve constar no relatório menção a este ou qualquer outro documento encaminhado", enfatizou.

Rosso, no entanto, disse que o conteúdo da delação premiada era de conhecimento público e que não poderia impedir que os membros da comissão fossem influenciados pelos documentos.

Nessa segunda-feira (21), o deputado federal Laerte Bessa (PR-DF) protocolou pedido de impeachment de Dilma, acusando-a de ter cometido dois crimes de responsabilidade ao nomear o procurador de Justiça da Bahia Wellington Lima e Silva para o Ministério da Justiça e Lula para o comando da Casa Civil.

Além dos líderes do PSDB, DEM e PPS, participaram da reunião da oposição desta terça-feira na Câmara deputados e líderes do Solidariedade, PSC e PSB. Este último partido se diz "independente" na Casa, mas já declarou que deverá votar a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Veja quem Delcídio do Amaral acusa em sua delação premiada

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