Jornais da América Latina destacam impeachment e comentam desafios de Temer

São Paulo - Após o Senado aprovar o impeachment de Dilma Rousseff por 61 votos a 20, o jornal argentino Clarín chamou a situação que o Brasil vive de "crise institucional forte" em meio à queda de Dilma, após 13 anos de mandato do PT, e o atual presidente em exercício, Michel Temer, que inicia seu governo com um baixo índice de popularidade.

"É curioso que o Congresso tenha deposto Dilma Rousseff quando um político acusado de corrupção diretamente pelo Supremo Tribunal Federal ainda sobrevive no cargo de deputado. Este é Eduardo Cunha, ex-chefe da Casa, também responsável por ter deflagrado o julgamento contra o ex-presidente.

O La Nación também noticia a saída de Dilma com destaque. O diário argentino qualifica o processo de impeachment do país vizinho como "polêmico, intenso e dramático". O La Nación lembra que Temer assumirá o cargo e cumprirá o restante do mandato, até o fim de 2018, com o "difícil desafio de tirar o Brasil da pior recessão desde a década de 1930".

A rede Telesur, projeto de vários países, como Venezuela, Cuba, Argentina e Uruguai, afirma que "se consuma o golpe de Estado" no Brasil, com a destituição de Dilma pelos senadores. A emissora lembra, em sua reportagem sobre o tema, que o Nobel da Paz argentino Adolfo Pérez Esquivel qualificou o quadro brasileiro como um "golpe brando".

O jornal peruano El Comercio também registrou os acontecimentos deste dia em Brasília. Segundo o periódico, com a votação do Senado "se encerra uma sangria política que há nove meses mantinha pendente a maior economia da América Latina". O diário também lembra a "forte crise econômica" e os protestos recentes no País.

A versão online do jornal chileno "O Mercúrio" lembra que Temer não tem assegurado a sua continuidade até 2018, uma vez que o Tribunal Superior Eleitoral julga se houve "transferência de fundo estatais" para a campanha de Dilma em 2014. "Caso seja dada a luz verde, toda a chapa estaria prejudicada, incluindo o atual presidente em exercício", afirma a matéria.

Já o uruguaio El Observador destacou que o plenário do Senado "irrompeu a cantar o hino nacional" no momento em que se anunciou a decisão, mas foi interrompido pela nova votação sobre a inelegibilidade e perda de funções públicas de Dilma, que foi rejeitado por 42 votos a 36.

E por fim, O jornal mexicano El Universal disse em sua reportagem sobre o tema que o julgamento político contra Dilma é "polêmico" e recorda a discussão sobre as "pedaladas fiscais". Segundo o diário, o processo contra a presidente agora deposta ocorreu em meio a "vários escândalos de corrupção que salpicam praticamente toda a classe política do país".

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