Candidatos evitam associação com líderes nacionais

Em São Paulo

  • Felipe Rau/ Estadão Conteúdo

    O presidente Michel Temer quase não apareceu na campanha

    O presidente Michel Temer quase não apareceu na campanha

Após uma participação tímida no primeiro turno das eleições municipais, caciques nacionais e até mesmo estaduais estão sendo "dispensados" por seus candidatos a prefeito na segunda etapa da disputa em algumas capitais. Para evitar a nacionalização da campanha e a contaminação com temas turbulentos da política atual, há concorrentes que preferiram se distanciar de seus líderes partidários na conquista de votos.

Em Belo Horizonte, os dois principais caciques políticos do Estado --o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador Fernando Pimentel (PT)-- evitaram aparecer ao lado de seus candidatos à prefeitura no primeiro turno e não deram indícios, ao menos até o momento, de que vão se empenhar na campanha de segundo turno.

Presidente nacional do PSDB e eleito duas vezes governador de Minas, no dia da eleição, Aécio não foi votar ao lado do deputado estadual João Leite, candidato da legenda.

Fernanda Carvalho/O Tempo/Estadão Conteúdo
Eleito duas vezes governador de MG, Aécio não foi votar ao lado de João Leite

No momento em que o senador estava em sua sessão eleitoral, no entanto, Leite, que disputa o segundo turno com o empresário Alexandre Kalil (PHS), acompanhou o presidente nacional do partido.

A assessoria do senador afirma que "a campanha definiu como estratégia que o próprio candidato se apresentasse à população".

A reportagem também entrou em contato com a assessoria do governador solicitando posicionamento sobre a eleição e sua ausência da campanha. "O governo do Estado não se manifesta sobre assuntos relativos ao processo eleitoral", respondeu, em nota.

Alan Marques/Folhapress/2.mar.2016
Fernando Pimentel também não apareceu muito na campanha

O comitê de Leite, também em nota, disse que o candidato "tem dito reiteradas vezes que tem enorme respeito e reconhecimento pelas lideranças do seu partido".

"Nessa eleição há uma cobrança maior da população sobre o próprio candidato, suas propostas e condições pessoais para resolver os problemas da cidade."

Porto Alegre

O segundo turno na capital gaúcha entre Nelson Marchezan Júnior (PSDB) e Sebastião Melo (PMDB) também não deverá ter a participação de grandes nomes nacionais da política.

A exemplo do que ocorreu na primeira fase da eleição, os candidatos argumentam que a prioridade é "municipalizar a disputa". A estratégia também contempla uma preocupação de desvincular a figura dos concorrentes das polêmicas envolvendo suas legendas no cenário nacional.

Melo, atual vice-prefeito de Porto Alegre, é do mesmo partido do presidente da República, Michel Temer, e do governador gaúcho, José Ivo Sartori. Nenhum dos dois apareceu em seus programas de TV. Nos debates no primeiro turno, Melo foi muito questionado por adversários sobre medidas adotadas pelo governo federal consideradas impopulares.

Ronaldo Bernardi - 27.abr.2015/Agencia RBS
Ivo Sartori não apareceu nos programas de TV de Melo

"O Sartori e o Temer não votam em Porto Alegre, então para que trazê-los para a campanha? Não estou debatendo nem o Estado nem o país", disse Melo. Nos bastidores, a percepção é de que a estratégia deu certo e será mantida.

Marchezan, por sua vez, se divide entre a campanha em Porto Alegre e o mandato na Câmara dos Deputados. Apesar de manter uma relação cotidiana com líderes nacionais do PSDB em Brasília, ele tampouco demonstra interesse em receber o apoio deles na disputa local.

Curitiba

Em Curitiba, Rafael Greca (PMN), em disputa com Ney Leprevost (PSD), não tem citado o governador Beto Richa (PSDB) com a mesma veemência com que cita acadêmicos e, ao ser "acusado" pelos adversários de ter o apoio do governo, procura sair pela tangente. O próprio governador disse que não se envolveria na campanha.

Keiny Andrade-3.jun.2015/Folhapress
Beto Richa disse que não se envolveria na campanha.

São Luís

Com apenas dez segundos na propaganda eleitoral, mas um bom desempenho nos dois debates televisivos, Eduardo Braide (PMN), surpreendeu e está no segundo turno na disputa em São Luís, com o atual prefeito, Edivaldo Holanda Júnior (PDT), aliado do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

Em 2014, Braide apoiou o peemedebista Lobão Filho para o governo estadual, candidato do grupo do ex-senador José Sarney. No entanto, ele agora evita a associação.

Charles Sholl/Futura Press/Estadão Conteúdo
Braide evita a associação com a imagem de Sarney (foto)

Fortaleza

Aliado dos irmãos Cid e Ciro Gomes, ex-governadores do Ceará, o atual prefeito de Fortaleza e candidato à reeleição, Roberto Cláudio (PDT), vez ou outra apareceu nas carreatas em companhia de um deles. O próprio Ciro explica a ausência dizendo ser o prefeito já reconhecido pelos eleitores.

Oficialmente apadrinhado pelos senadores Tasso Jereissati (PSDB) e Eunício Oliveira (PMDB), Capitão Wagner (PR) afirma que o apoio dos líderes é igual ao de qualquer morador da cidade. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Alan Marques/ Folhapress
Ciro Gomes apareceu pouco na campanha eleitoral

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