PCC tem 1.001 gerentes e pagava R$ 6 mi anuais a advogados, mostra inquérito

De São Paulo

  • Evelson de Freitas/Folhapress

    Lema do PCC no Carandiru, em 2001, durante rebelião; facção se nacionalizou

    Lema do PCC no Carandiru, em 2001, durante rebelião; facção se nacionalizou

A Polícia Civil e o Ministério Público Estadual identificaram 1.001 detentos que seriam "gerentes" do Primeiro Comando da Capital (PCC), responsáveis por cartas com ordens, decisões e pagamentos em nome da facção criminosa no Estado.

Os investigadores chegaram à lista durante o inquérito que apurou o envolvimento de advogados com a organização criminosa.

A apuração mostrou, ainda, que a facção destinava cerca de R$ 6 milhões anualmente para pagamentos aos advogados. O valor mantinha a chamada "sintonia dos gravatas" ou "célula R", como passou a ser chamado o grupo que passava por uma "reestruturação organizacional" neste ano.

As informações estão no relatório final da investigação da polícia apresentado à Justiça e obtido pela reportagem. A investigação levou à deflagração da operação Ethos, em 22 de novembro, que resultou na prisão de 33 advogados suspeitos de colaborar com o PCC em crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção. Entre os presos está o ex-conselheiro de Defesa de Direitos Humanos Luiz Carlos dos Santos.

No topo da lista dos gerentes está Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, que atende pelo número 1.013, que virou um dos seus apelidos na liderança da organização. A numeração também serviria como assinatura de cartas com ordens visando a proteger a identificação dos envolvidos. Uma planilha interceptada no âmbito do inquérito policial mostrou quais numerações correspondiam a cada detento.

"A análise pelos investigadores de polícia de milhares de cartas interceptadas levam à conclusão objetiva de que a decisão final da ação da organização decorre de pessoas que assinam por essas siglas. Essas pessoas efetivamente ocupam uma função análoga a um verdadeiro conselho deliberativo, um organismo máximo na facção que efetivamente decide em nome do Primeiro Comando da Capital (PCC)", detalhou o documento.

Organização preparava reestruturação

De acordo com o relatório, a célula R, criada inicialmente para prestação de serviços exclusivamente jurídicos aos líderes da facção, evoluiu "da licitude para a ilicitude blindada pelo sigilo constitucional do advogado". "Atualmente, essa célula nem sequer presta assistência jurídica aos líderes da organização, de maneira que esse núcleo simula visitas aos líderes, como elo de comunicação de atividades criminosas." A letra "R" seria referência a "recursistas", como são chamados os presos que conhecem leis.

Planilhas interceptadas pelos investigadores mostraram que o grupo passava por uma reestruturação e planejava um novo modelo para 2016. Isso incluiu a transformação da antiga "sintonia dos gravatas" em uma célula dividida, com presidente, diretoria administrativa e até "diretoria de relações institucionais".

À frente da célula R estaria Valdeci Francisco Costa, que se autointitulava diretor-presidente. Foi ele que, segundo a polícia, ficou responsável por adotar um novo modelo de atuação da célula, incrementando protocolos de segurança e "criando uma estrutura orgânica de feição empresarial".

Apontado como homem de confiança de Marcola, Costa tinha a missão de reformular a "sintonia dos gravatas". Mas foi preso no dia 28 junho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

PCC funciona como uma empresa organizada e estruturada

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