Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Morte de turista "macula o nome e a fama da sofrida Rio de Janeiro", diz juíza

No Rio

  • Reprodução/Facebook

    Os italianos Roberto Bardella (à esq.) e Gino Polato (à dir.), que faziam uma viagem de motocicleta pelo Brasil

    Os italianos Roberto Bardella (à esq.) e Gino Polato (à dir.), que faziam uma viagem de motocicleta pelo Brasil

Seis suspeitos de assassinar a tiros o turista italiano Roberto Bardella na quinta-feira (8) tiveram suas prisões temporárias (por 30 dias) decretadas pela juíza Maria Izabel Pena Pieranti, do Plantão Judiciário do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (9).

Todos os acusados, além de um sétimo suspeito, menor de idade, foram reconhecidos em fotografias pelo primo da vítima, Rino Polato, em depoimento à polícia, como integrantes do bando armado que abordou os visitantes no Morro dos Prazeres, no centro da capital. As prisões, pelo assassinato de Bardella e por sequestro e cárcere privado de Polato, foram pedidas pela Divisão de Homicídios.

"Tenho que a conduta dos indiciados não atingiu apenas o patrimônio, a vida e o direito de ir e vir das vítimas, ambas turistas italianos. Em verdade, o hediondo episódio maculou, ainda mais, o nome e a fama desta sofrida cidade do Rio de Janeiro e, por via de consequência, de todo o Brasil, que ostenta alarmantes índices de criminalidade urbana", escreveu a juíza.

"Como cidadã e como magistrada que sou, tristemente declaro que me envergonho a cada nova ocorrência similar. E a imprensa local, nacional e estrangeira --sensível e eloquente voz da sociedade--, fez repercutir a notícia, dando larga divulgação ao crime que a todos chocou sobremaneira. Com efeito, o evento evidencia a extrema vulnerabilidade dos cidadãos que aqui vivem ou que por aqui passam. E, pior ainda, o evento ora versado e analisado não foi um episódio isolado. Ao contrário e, lamentavelmente, várias outras situações assemelhadas ocorreram nos últimos tempos. Em verdade, estão elas se tornando corriqueiras", escreveu.

Corpo de italiano foi colocado em porta-malas

Os primos italianos faziam, de motocicleta, uma viagem pela América do Sul. Eles tinham visitado o Cristo Redentor e foram direcionados para a favela --que tem uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP)-- por meio de um aplicativo.

Na comunidade, foram cercados pela quadrilha. Os traficantes armados teriam achado que Bardella era um policial --ele levava uma câmera de filmagem presa ao capacete.

Depois de assassiná-lo com tiros na cabeça e em um braço, os criminosos colocaram o corpo na mala de um carro, obrigaram Polato a entrar no veículo e rodaram com ele por mais de duas horas.

Acabaram liberando o turista com o corpo do primo perto de um templo religioso. Antes, enterraram pertences das vítimas e lavaram as motocicletas, para limpá-las de eventuais impressões digitais.

Rino Polato passou a noite no consulado italiano no Rio. Nesta sexta-feira, deverá deixar o Brasil. Autoridades brasileiras estão ajudando no traslado do corpo de Bardella para a Itália.

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