Corretor diz que Bumlai fez primeiras tratativas por terreno para Instituto Lula

Luiz Vassallo, Ricardo Brandt e Julia Affonso

São Paulo

O corretor imobiliário Nelson Seixas Gonçalves Júnior afirmou, nesta terça-feira (11), ao juiz federal Sérgio Moro que as primeiras negociações pelo terreno onde supostamente seria sediado o Instituto Lula foram feitas pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Seixas depôs como testemunha de defesa do advogado do petista, Roberto Teixeira, acusado de intermediar a compra do imóvel adquirido pela Odebrecht que, segundo os procuradores da República, seria uma forma de pagamento de propinas ao petista oriundas de contratos entre a construtora e a Petrobras.

Em outros depoimentos, como testemunha de acusação, Bumlai havia declarado que a ex-primeira dama Marisa Letícia - morta em fevereiro deste ano - o procurou e pediu sua "ajuda" para comprar um terreno que iria abrigar a sede do Instituto Lula.

O pecuarista contou que Marisa lhe disse que o objetivo era localizar um terreno para instalação do Instituto. Ali seriam acolhidos bens de propriedade do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, que promoveria atividades culturais no espaço, "a exemplo do Instituto Fernando Henrique Cardoso".

Bumlai disse que o primeiro empresário que procurou foi o então presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht - preso na Lava Jato desde junho de 2015. Odebrecht teria ajudado a fazer contato com outros empresários. O amigo de Lula, no entanto, disse que não se interessou pela compra do imóvel por impossibilidade financeira. Por isso, afastou-se da procura.

Em seu depoimento, o corretor responsável pela venda confirmou que as primeiras tratativas para a venda do terreno foram feitas por José Carlos Bumlai.

"Fui eu nessa reunião, estava Roberto Teixeira, dona Edna e quem apareceu como interessado foi o senhor José Carlos Bumlai. Foi numa conversa preliminar, disse que tinha interesse no imóvel. Expliquei que era um imóvel complicadíssimo. Estava na carteira de imóveis do escritório do meu pai", contou.

O corretor ainda relatou que Bumlai disse ter interesse no imóvel porque "estava vindo para o Brasil uma marca chinesa de carros".

Seixas afirmou que posteriormente, o pecuarista repassou o negócio a Glaucos Costamarques, seu primo, que teria fechado a aquisição junto da DAG Construtora.

O Ministério Público Federal sustenta que o parente de Bumlai também teria adquirido e mantido em seu nome, em favor de Lula, com "R$ 504.000,00 provenientes dos crimes de organização criminosa, cartel, fraude à licitação e corrupção praticados pelos executivos do Grupo Odebrecht", o apartamento 121 do residencial Hill House, em São Bernardo/SP, vizinho do imóvel onde mora o ex-presidente.

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