Topo

Delegado Waldir é alçado ao posto de articulador da transição na Câmara

FÁTIMA MEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Delegado Waldir participa de reunião do PSL, em novembro Imagem: FÁTIMA MEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Camila Turtelli e Adriana Fernandes

Brasília

06/12/2018 07h29Atualizada em 06/12/2018 12h23

Em seu segundo mandato e até então integrante do chamado "baixo clero", o deputado Delegado Waldir (PSL-GO), vice-líder do partido, foi alçado ao posto de articulador político do governo de transição na Câmara neste fim de ano. É ele quem tem levado ao plenário as preocupações do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, e do atual comandante da Fazenda, Eduardo Guardia, com projetos que podem onerar ainda mais as contas públicas. A avaliação das equipes econômicas é a de que se não fosse essa "contenção", o próximo governo já estaria com um problema orçamentário maior em 2019.

A interlocução entre Waldir e as equipes começou com a transição, mas se intensificou depois que Guedes perdeu batalhas importantes, como a aprovação do reajuste do Supremo Tribunal Federal pelo Senado, e com as complicações envolvendo as negociações sobre cessão onerosa, por causa do debate de divisão entre Estados e municípios.

Entre as principais preocupações que as equipes tentam barrar está o projeto que renova benefício para Sudene e Sudam e extensão do incentivo para Sudeco, com impacto de R$ 9,3 bilhões até 2020 e o refis para dívidas com Funrural - R$ 13 bilhões em 2018.

Com o líder da bancada, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), dedicado a divulgar o novo governo no exterior, Waldir tem se reunido semanalmente com integrantes da atual e da futura equipe econômica para receber orientações sobre projetos em votação na Casa. Dos encontros sai com uma lista do que fazer e, em alguns casos, quem procurar para tentar barrar as propostas.

Uma delas é o projeto que perdoa dívidas de agricultores com o Funrural. Na semana passada, pressionado pela bancada ruralista, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), colocou em votação um pedido para acelerar a tramitação do projeto. Waldir, então, pediu a ajuda de outros líderes para barrar a votação. "Eu virei oposição tentando impedir que pautas que mexam com o Orçamento passem. Alguns (líderes) pensam no ano que vem. Mas nem sempre encontro respaldo em todos e, às vezes, eu não tenho ali as pessoas para me ajudar naquele impedimento. O PSL é nanico. Não posso pedir uma verificação (de quórum) sozinho. Até a nossa obstrução é limitada. É uma atividade hercúlea", afirmou Waldir.

Apesar de ter eleito a segunda maior bancada em outubro, com 52 deputados, o PSL tem apenas oito parlamentares na Câmara atualmente.

Proposta

A falta de articulação política de Bolsonaro com o atual Congresso foi evidenciada na votação do reajuste do Judiciário, no mês passado. Na ocasião, após a proposta ser pautada no Senado, o presidente eleito disse que esperava que ela não fosse aprovada, mas, sem articulação na Casa, viu passar com apoio, inclusive, de senadores de partidos aliados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.