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4 meses
Toffoli lança em Goiânia projeto piloto para destravar obras

Obra do futuro Hospital Brasilândia, zona norte, está parada - iStock
Obra do futuro Hospital Brasilândia, zona norte, está parada Imagem: iStock

Rafael Moraes Moura

Brasília

17/02/2020 11h54

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ministro Dias Toffoli, lança hoje, em Goiás, o programa Destrava, voltado para a retomada de obras paralisadas em todo o país. O projeto-piloto vai ser iniciado em Goiânia, com foco em creches, numa solenidade que deve contar com a presença do governador do Estado, Ronaldo Caiado (DEM), e de integrantes do Ministério Público e do governo federal.

De acordo com o TCU (Tribunal de Contas da União), cerca de 14 mil obras estão paradas no Brasil - um investimento que ultrapassa a marca de R$ 144 bilhões. As principais razões para as interrupções dos empreendimentos são erros de projeto, abandono pela empresa e questões técnicas - apenas 6% das causas estão relacionadas à atuação de Tribunais de Contas, Ministério Público e Judiciário, de acordo com o CNJ.

O objetivo do Destrava é mobilizar diversos atores em cada região para identificar as obras paradas e os motivos das paralisações, viabilizando assim uma saída para superar o problema. O primeiro passo é a criação de um comitê, seguido por um mapeamento detalhado para entender as dificuldades dos gestores locais. A iniciativa em Goiás deve ser concluída ainda no primeiro semestre deste ano.

"Essa rede de fiscalização irá criar um espaço de diálogo e de soluções. A metodologia aplicada facilitará a obtenção de acordos, sem afastar as responsabilidades, que por fim poderão ser homologados pelo Poder Judiciário, garantindo segurança jurídica ao gestor público e aos executores. Trata-se de uma ação integrada que tem como objetivo possibilitar o atendimento adequado aos cidadãos brasileiros, em especial, às nossas crianças", disse Toffoli ao jornal O Estado de S. Paulo.

As creches são consideradas obras de baixo custo orçamentário, mas alto impacto social. De acordo com o CNJ, no final de 2019, 56 obras espalhadas por 47 municípios goianos estavam paradas ou inacabadas.

Os trabalhos no âmbito do Destrava serão liderados pelo CNJ, em parceria com TCU, CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) e os governos estaduais.

Gestão

O lançamento do projeto reacendeu a animosidade política em Goiás. O governador Ronaldo Caiado comemora a iniciativa liderada por Toffoli, mas responsabiliza a gestão tucana de Marconi Perillo, que comandou o estado de 2011 a 2018, pelas obras paradas.

"São muitas creches, rodovias, escolas inacabadas, um prejuízo incalculável para o cidadão brasileiro. O mais grave é a situação de Goiás, onde o governo Marconi Perillo usou lançamento de obras públicas às vésperas das eleições e estão inacabadas até hoje", criticou Caiado.

Procurado pela reportagem, Perillo informou por meio de sua assessoria que Caiado "repete sua estratégia de atacar a gestão anterior para tentar desviar a atenção da população de sua incompetência administrativa".

"As gestões do PSDB, nos quatro mandatos de Marconi Perillo, promoveram os maiores investimentos da história do estado em obras de infraestrutura social e econômica, em todas as áreas", rebateu o tucano.

Cotidiano