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Lotadas e sem máscaras, festas clandestinas driblam a fiscalização

Imagens publicadas nas redes sociais mostram aglomeração e pessoas sem máscara durante festa clandestina em São Paulo - Reprodução/Instagram
Imagens publicadas nas redes sociais mostram aglomeração e pessoas sem máscara durante festa clandestina em São Paulo Imagem: Reprodução/Instagram

João Prata

São Paulo

14/12/2020 07h07

Organizadores de festas clandestinas têm driblado a fiscalização das autoridades de saúde e de segurança graças às redes sociais e estruturas cada vez mais elaboradas para manter secreto o local do evento.

Maria Cristina Megid, diretora da Vigilância Sanitária do Estado, reconheceu que não está sendo fácil coibir festas e aglomerações, hoje proibidas em São Paulo.

"Tem tido muita dificuldade para identificar esses locais. Temos recebido algumas denúncias e pedido apoio da segurança pública. Conseguimos desmobilizar algumas, mas outras não. Quem tem consciência do momento e sabe que essas festas são de risco, denuncie. A identidade será preservada", disse ao Estadão.

A população pode denunciar festas clandestinas e outras aglomerações por telefone (3065-4666) e e-mail (secretarias@cvs.saude.sp.gov.br).

Os métodos são semelhantes. O convite fica disponível para visualização de qualquer um no Instagram e no Facebook, com data, horário, preço e o lineup de quem vai tocar. A única informação restrita é o endereço, divulgado só horas antes.

O local que aparece no convite nem sempre é o certo. Um promotor de eventos, que pediu anonimato, foi no mês passado à festa LGBT Indústria, realizada duas vezes por mês —uma em SP e outra no Rio. Cada edição ocorre em um local, geralmente longe do centro.

A edição de novembro em São Paulo foi em um sítio próximo à Represa do Guarapiranga, zona sul. "Fomos ao endereço, paramos no estacionamento. Ali havia organizadores espalhados dando informações divergentes. Numa tentativa de despistar a fiscalização, acredito. Indicavam um lugar errado, você se perdia e voltava. Aí indicavam o certo", disse.

"Devia ter 4.000 a 5.000 pessoas. Todas já chegavam sem máscara e não havia distanciamento nenhum. Lá dentro, todo mundo junto, se abraçando, beijando. Como se não existisse o coronavírus."

Na festa da Indústria do dia 6, os organizadores enviaram o endereço falso. Nesse local, um funcionário dizia o lugar certo. O DJ Yan Goedertt divulgou no Instagram vídeo da festa. É possível ver milhares de pessoas aglomeradas, sem máscaras.

Na mensagem, o DJ agradece ao organizador Paulo Galdino. Nos materiais de divulgação, há o nome de Galdino, telefone e dados bancários, para depósito do dinheiro do ingresso. O Estadão não conseguiu contato com o organizador.

O promotor de eventos destacou que, por ser clandestina, há uma precariedade nos serviços. "Me informei sobre as pessoas que trabalhavam no evento. Era uma rede de amigos e parentes que estava ali para colaborar. Não eram profissionais. Em um momento, duas pessoas passaram mal em um camarote. Uma amiga, médica, tentou entrar para ajudar e não conseguiu. Depois, apareceram os bombeiros e essas pessoas foram levadas para o que deveria ser um ambulatório. Era uma tenda, com alguns colchões no meio de um gramado, e mais nada."

'Celebrar a vida'

A festa Rolezera, que já acontecia eventualmente antes da pandemia, teve edição marcada para o último dia 5. Não informou o local e havia um site, com acesso por senha, para vender ingresso. No WhatsApp, a mensagem dizia: "Não podíamos deixar de juntar nossos amigos pra nos despedir desse ano atípico, né? Celebrar a vida e a amizade, com muita música e energia boa."

O organizador e o dono do local estão sujeitos a penas de um mês a um ano de detenção e multa. Já houve no estado 1.200 autuações por aglomeração ou não uso de máscara no comércio.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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