UE faz 1º encontro sem Reino Unido e pede rapidez a Londres

BRUXELAS E LONDRES, 29 JUN (ANSA) - A União Europeia (UE) realizou nesta quarta-feira (29) sua primeira reunião sem a presença do Reino Unido, que decidiu na semana passada, em referendo, sair do bloco. O clima entre os líderes europeus era de preocupação com o futuro, mas a maioria pediu união na tomada de decisões e pediu rapidez para concluir essa fase de desligamento. "O Reino Unido tomou uma decisão e hoje não senta mais na mesa que sentava ontem à noite", disse o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, ao chegar para o segundo dia de encontros com chefes de Estado e de Governo da UE. Ontem, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, participou do meeting.   

A intenção dos líderes é articular o bloco até que o Reino Unido peça a ativação do artigo 50 do Tratado de Lisboa, que regula o desligamento de um país-membro. Os líderes tentam analisar quais as prioridades para o momento, assim como a manutenção do foco no projeto unionista no continente. O tema deverá ser novamente discutido em setembro, em um encontro em Bratislava, na Eslováquia.   

"Sabemos o que fazer, depois do que os britânicos fizeram. Hoje cabe a nós tomar as decisões, com nossa união, para preparar o período transitório para a retirada do Reino Unido", comentou a presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite. "Nem os britânicos podem se permitir a um 'novela', uma crise longa", advertiu, por sua vez, o primeiro-ministro da Bélgica, Charles Michel.   

Em um esboço de declaração conjunta, os 27 países disseram estar prontos para "enfrentar qualquer dificuldade ocasionada pela situação atual" e ressaltaram a necessidade de "agir para responder aos cidadãos nos termos de segurança, prosperidade e perspectiva de um futuro melhor". O documento também pede que os líderes evitem prolongar esse período de incertezas. "Para organizar a retirada ordenada do Reino Unido, espera-se que o governo britânico, assim que estiver pronto para fazer isso, notifique o Conselho Europeu" sobre a ativação do artigo 50. "Seria preferível que isso ocorresse rapidamente, a fim de evitar que entremos em um período prolongado de incertezas", afirmou o texto. "Não pode haver nenhuma negociação da UE com o Reino Unido antes da notificação do artigo 50", destacaram os líderes europeus.   

A UE espera que o governo britânico envie formalmente o pedido de desligamento do bloco, baseado no Tratado de Lisboa. A partir daí, serão iniciados os trâmites burocráticos para a saída total do país.   

A chanceler alemã, Angela Merkel, garantiu que a UE já tem uma estratégia para manter o nível de crescimento e de emprego em todo o bloco, a fim de espantar o medo de que a saída do Reino Unido coloque em risco a economia da região. "Todos estão empenhados em promover o crescimento e os empregos.   

Devemos criar empregos, criar crescimento, criar competitividade para o bem-estar dos cidadãos europeus", comentou Merkel, uma das principais defensoras da manutenção do bloco. Já o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, admitiu que foi um "choque" participar de um encontro da UE sem a presença do Reino Unido. "Diante deste choque provocado pela saída do Reino Unido, acho fundamental entender a mensagem. Não se pode fingir que não aconteceu nada", criticou o premier, que, desde que tomou posse, exige mudanças no formato da UE. Repórteres britânicos que faziam a cobertura do Conselho Europeu ofereceram croissant e pediram desculpas pelo "inconveniente" causado pelo referendo. "Aceitem esses croissants. Desculpem por termos danificado vocês e seus países", disse um jornalista inglês a colegas europeus. Escócia - Membro do Reino Unido, a Escócia vive um impasse, já que 66% dos seus eleitores votaram para que Londres permanecesse no bloco. Sendo assim, o país analisa a possibilidade de convocar um referendo próprio para abandonar o Reino Unido e permanecer na UE. A líder escocesa Nicola Sturgeon está em Bruxelas para se reunir com o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, e com Juncker. (ANSA)
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