Papa reconhece aspectos 'positivos' da Reforma Protestante

CIDADE DO VATICANO, 31 MAR (ANSA) - Participando de um congresso no Vaticano sobre os 500 anos da Reforma Protestante, o papa Francisco disse nesta sexta-feira (31) que é preciso reconhecer os aspectos "positivos" do movimento iniciado pelo monge alemão Martinho Lutero.   

O evento é organizado pelo Comitê Pontifício das Ciências Históricas, cinco meses após uma visita do líder da Igreja Católica à Suécia, onde culpou os "poderosos" pela divisão de meio milênio entre os cristãos.   

"O estudo atento e rigoroso, livre de preconceitos e polêmicas ideológicas, permite às igrejas, hoje em diálogo, discernir e assumir o quanto de positivo e legítimo houve na Reforma e tomar distância de erros, exageros e fracassos, reconhecendo os pecados que levaram à divisão", afirmou o Papa nesta sexta, para um público de aproximadamente 150 pessoas.   

Segundo o Pontífice, "aprofundamentos sérios" sobre a figura de Lutero e suas críticas contribuem para "superar aquele clima de desconfiança mútua e rivalidade que por tanto tempo caracterizou o relacionamento entre católicos e protestantes".   

Além disso, Francisco destacou o ineditismo de um congresso que reúne as duas vertentes por iniciativa da Santa Sé. "Todos sabemos bem que o passado não pode ser alterado. No entanto, hoje, após 50 anos de diálogo ecumênico entre católicos e protestantes, é possível realizar uma purificação da memória, sem traços daquele rancor pelas feridas sofridas que deforma a visão que temos uns dos outros", acrescentou.   

Os 500 anos da Reforma Protestante, comemorados em 2017, marcam a primeira vez que a Igreja Católica participa oficialmente das celebrações de aniversário da revolução de Martinho Lutero. A reaproximação faz parte de um amplo movimento de Francisco em defesa da união entre os cristãos, principalmente por conta das perseguições por parte do jihadismo islâmico na África e no Oriente Médio.   

Em 1507, Lutero colou na porta da igreja do castelo de Wittenberg um manifesto com 95 teses para revolucionar a Igreja Católica, servindo de embrião para as diversas confissões protestantes que surgiriam nos séculos seguintes.   

O monge era contra principalmente à "venda" do perdão aos fiéis - a chamada indulgência - e ao luxo cultivado pelo papado.   

(ANSA)
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