Emmanuel Macron e a ideia de uma 'nova França'

PARIS, 23 ABR (ANSA) - A França que volta "forte e unida", a esperança e o fim do derrotismo: esses foram os principais temas abordados por Emmanuel Macron nos dias que antecederam a sua vitória no primeiro turno das eleições Presidenciais da França, o que garantiu que a disputa contra a candidata ultranacionalista Marine Le Pen (Frente Nacional) fosse para o segundo turno neste domingo, dia 23. Macron, que agora está a uma eleição de ser tornar o novo presidente da França, ficou na frente de Le Pen e conseguiu convencer boa parte dos franceses de que ele está apto para ser o sucessor de François Hollande. "Vocês estão escutando o murmúrio da primavera? Domingo venceremos e [este] será o início de uma nova França", disse o fundador do partido Em Marche! em um comício com mais de 20 mil pessoas na arena de Bercy, em Paris, na semana passada. Já em outro evento, dessa vez em Nantes, Macron apareceu com o ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, muito provavelmente para reafirmar e tranquilizar os eleitores que veem a segurança, inclusive em relação ao terrorismo, assunto muito atual no país, como um dos seus pontos fracos. No comício, o empresário prometeu uma "profunda mudança". Mesmo assim, talvez o maior desafio que Macron deverá enfrentar no segundo turno das Presidenciais, que acontecerá no dia 13 de maio, será o de convencer muitos franceses de que ele não será apenas um "bis" de Hollande, uma repetição incapaz de fazer escolhas concretas e sempre a procura de um compromisso que pode ser nobre, mas que em grande parte das vezes acaba descontentando a todos. Esse é um "risco" ironicamente sintetizado em um pôster anônimo colado na cidade de Marselha no qual o rosto do candidato, refletido em um espelho, parece o do atual presidente francês.   

Junto à figura também pode se ler a frase: "mais cinco anos?". O eleitorado de Macron é um dos mais frágeis e voláteis, podendo retirar seu apoio a qualquer momento o que, no entanto, não anuncia sua derrota em maio. Ministro das Finanças do governo de Hollande, Macron foi o fundador da sigla pela qual está competindo a corrida eleitoral, o Em Marche!, em março de 2016, se distanciando do executivo socialista para depois se candidatar a ocupar o Palácio do Eliseu. Na sua carreira fulminante, Macron, que pode ser tornar o presidente mais jovem da França, com apenas 39 anos, nunca concorreu a uma eleição. Mesmo assim, grandes nomes da esquerda francesa, como o ex-premier Manuel Valls, se encontraram com ele, enfurecendo o candidato oficial dos socialistas, Benoît Hamon, que pouco após as urnas deste domingo terem fechado, contudo, admitiu sua derrota e anunciou seu voto ao adversário. Até Hollande deixou a entender mais de uma vez que pretendia votar em Macron. O político de Amiens, a cerca de 120 quilômetros de Paris, que se casou com Brigitte, a sua ex-professora do colégio que é 20 anos mais velha que ele, também conseguiu o apoio do centrista François Bayrou (Movimento Democrático, MoDem) e até do conservador François Fillon (Os Republicanos).   

Durante sua campanha, Macron prometeu uma sociedade mais aberta e flexível, longe de corporativismos e privilégios do passado, capaz de responder às demandas globais com a Europa como sua estrela-guia e ressaltando que não representa nem a esquerda e nem a direita, mas a solução para uma "nova França". (ANSA)
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