Grupos jihadistas colocam em risco viagem de Papa ao Egito

SÃO PAULO, 27 ABR (ANSA) - O papa Francisco iniciará nesta sexta-feira (28) uma viagem ao Egito cercada de temores por riscos de atentados terroristas contra alvos cristãos. Há apenas 20 dias, o grupo extremista Estado Islâmico (EI) explodiu duas igrejas cristãs coptas deixando mais de 30 mortos.   

Os atentados aumentaram ainda mais a tensão em torno da visita de Jorge Mario Bergoglio, que não desistiu da viagem e ainda prometeu fazer um apelo de paz e de convivência interreligiosa no país. O Estado Islâmico no Egito é formado principalmente por membros do Ansar Beit al-Maqdis ("Defensores de Jerusalém") e que, desde a aliança com o EI anunciada em 2014, batizaram a região que dominam de "Estado do Sinai". Os jihadistas conduzem uma sanguinária guerrilha na península do Sinai e também realizam atentandos no delta do Nilo e na capital do país, Cairo, contra os chamados "infiéis" - seguidores de outras religiões e até de outras vertentes que não seja a sunita dentro do Islã.   

Mas o Estado Islâmico não é o único grupo extremista que pode colocar em risco a viagem de Francisco. Dezenas de outras organizações atuam no país, criando uma verdadeira "galáxia jihadista". Entre as principais, está "Ajnad Misr" ("Soldados do Egito"), que realiza constantemente atentados no país, mas com artefatos artesanais. Um dos ataques cometidos pelo grupo salafista ocorreu em 2013 diante do Palácio Presidencial, após a deposição do mandatário Mohamed Morsi, primeiro presidente eleito democraticamente no Egito e membro do Partido da Liberdade e Justiça, ligado à Irmandade Muçulmana.   

O líder do "Ajnad Misr", criado após um racha do "Ansar Beit al-Maqdis", convocou uma "jihad" contra o governo do sucessor de Morsi, o general Abdel Fattah al-Sisi.   

Já o grupo "Haraket Hasm" emergiu no ano passado reivindicando a tentativa de assassinato de um vice-procurador-geral e é considerado uma organização mais sofisticada nos modos de guerrilha e militância. Outros que atuam no Egito são o "Liwa al-Thawra" ("Brigada da Revolução"), criado em outubro do ano passado e autor de um atentado que matou dezenas de militares no delta do Nilo em 1 de abril, e a "Irmandade Muçulmana", que tem seu próprio partido político mas é considerada organização terrorista pelo governo de al-Sisi. Mesmo com toda a tensão no Egito, as autoridades políticas e religiosas garantiram manter a segurança para a visita de Francisco. O Papa, por sua vez, abriu mão do papamóvel e de veículos abertos, mas preferiu optar por um carro normal para deslocamentos, sem blindagem. (ANSA)
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