BCE dá aval para liquidação de 2 bancos italianos

ROMA, 23 JUN (ANSA) - O Banco Central Europeu (BCE) declarou na noite desta sexta-feira (23) que duas instituições bancárias italianas, a Veneto Banca e a Banca Popolare di Vicenza, estão próximas da "falência".   

Com isso, o BCE deu autorização para o início do processo de resgate dos bancos, que deve contar com a participação do Estado da Itália. Pelo acordo desenhado até aqui, o Intesa San Paolo, maior banco italiano em valor de mercado, comprará a parte "saudável" dos dois concorrentes.   

Já seus créditos deteriorados, que totalizam cerca de 10 bilhões de euros, serão assumidos pelo governo e pelos investidores que aplicaram em obrigações subordinadas dos dois bancos. No comunicado emitido nesta sexta, o BCE diz que considera o Veneto Banca e o Banca Popolare di Vicenza em "risco de colapso" e que encomendou um parecer ao Conselho Único de Resolução (CUR).   

O órgão, que tem como objetivo garantir o fim ordenado de bancos insolventes, chegou à conclusão de que o melhor a se fazer é que as duas instituições sejam liquidadas de acordo com as normas italianas.   

Após a divulgação da nota, a Comissão Europeia, poder Executivo do bloco, se manifestou e disse que cabe agora às autoridades de Roma determinar o caminho para resolver a situação dos dois bancos, que têm suas sedes na região do Vêneto, nordeste do país.   

"O governo se reunirá no fim de semana para adotar as medidas necessárias para garantir a operação bancária em sua plenitude, com a proteção de todos os correntistas e poupadores", afirma um comunicado do Departamento do Tesouro da Itália. Entenda - O Veneto Banca e o Banca Popolare di Vicenza são dois dos principais bancos populares do norte do país. Esse tipo de instituição financeira é constituído como sociedade cooperativa, onde cada sócio não pode possuir mais de 0,5% de seu capital.   

No entanto problemas de gestão colocaram esses bancos no centro de uma crise que ronda todo o sistema italiano, principalmente devido à elevada presença de créditos deteriorados (empréstimos que dificilmente serão pagos) em suas carteiras.   

Para socorrer esses bancos, o governo vem adotando o sistema "bail-in", ou seja, quando o resgate é feito com dinheiro dos próprios investidores e acionistas. Nesse modelo, a parte saudável é vendida, enquanto os créditos deteriorados são transferidos a um "bad bank", uma espécie de lixeira para abrigar os prejuízos e tentar vender os ativos podres a fundos especializados em recuperar esses investimentos.   

Nessa operação, não se usa dinheiro de correntistas ou investidores de produtos financeiros ordinários, apenas recursos dos acionistas e aplicações em "obrigações subordinadas", ativos de alto risco que, em caso de insolvência, só são pagos depois de todos os outros créditos devidos pela instituição. (ANSA)
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